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Correio da Manhã

Economia
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Jerónimo insiste que Portugal tem de resolver problema da dívida

Líder do PCP diz que renegociação da dívida "é uma condição patriótica que o Governo deve assumir".
27 de Maio de 2017 às 18:12
Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, reiterou hoje, em Bragança, que Portugal precisa de resolver o problema da dívida e que a renegociação da mesma "é uma condição patriótica que o Governo deve assumir".

O líder comunista falava, em Bragança, num comício da CDU, a coligação autárquica que junta o Partido Comunista (PCP) e o Partido Ecologistas 'Os Verdes' (PEV) e que junto com o Bloco de Esquerda assinaram o entendimento de Governo com o PS.

O secretário-geral do PCP defendeu hoje que renegociar a dívida portuguesa "nos seus prazos, nos seus juros, nos seus montantes é uma condição patriótica que o Governo deve assumir, que as instituições devem assumir porque se torna insustentável, para dar resposta aos problemas do país, manter esta sangria desatada da dívida e do serviço da dívida".

Jerónimo de Sousa vincou que Portugal tem "uma dívida que é das maiores do mundo" e que o país paga "só de serviço da dívida oito mil milhões de euros por ano, que daria para pagar todo o Serviço Nacional de Saúde [SNS], durante um ano, todas as despesas que decorrem do SNS".

"Poderíamos permitir o aumento do investimento, mas não, vai para esse saco roto, sem fundo que é o serviço da dívida. E nem sequer baixamos a dívida, estamos a falar só do serviço da dívida", apontou.

O líder do PCP reiterou ainda que o país precisa também de se libertar "das correntes da política do Euro, a submissão ao Euro porque, passados estes anos todos em que se cantou que Portugal ia para a linha da frente, que Portugal estava na moda com o Euro, que isto ia ser sempre a aviar" verifica-se "que Portugal não cresceu devido à política do Euro".

O resultado "era inevitável", segundo Jerónimo de Sousa por se "estar a comparar economias tão diferentes, com um grau de desenvolvimento tão diferente, como por exemplo a Alemanha ou Portugal, e pensar que com essas diferenças poderia haver uma moeda única".

"A moeda única existe, mas apenas beneficia uma parte que são os poderosos, neste caso concreto a Alemanha", acrescentou.

Jerónimo defendeu ainda que Portugal "não pode continuar sujeito a este regabofe da banca", em que se permite que os bancos sejam "entregues ao estrangeiro, ficando as dívidas para o povo português, para que o país pague".

O secretário-geral do PCP entende que o caminho para o desenvolvimento e crescimento económico "só é possível produzindo mais e melhor" e as possibilidades existentes nas "riquezas naturais no subsolo, no mar, capacidades na agricultura, na indústria, agora também no turismo".

Jerónimo de Sousa afirmou ainda que o PCP "não perderá nenhuma oportunidade de continuar a lutar por mais direitos, por melhores rendimentos", mesmo que "divergindo com o Governo minoritário do PS em muitas situações".

"Nós temos um grau de compromisso e de convergência com o PS que está inscrito na posição conjunta que assumimos, mas lá está escrito que o PCP não abdica da sua autonomia, da sua independência, sublinhando que o primeiro e principal compromisso do PCP é com os trabalhadores e com o povo e não com qualquer Governo que exista", sublinhou.
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