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Correio da Manhã

Economia
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JSD critica alterações dos estágios profissionais

A Juventude Social Democrata (JSD) criticou este domingo as alterações previstas pelo Governo quanto aos estágios profissionais e questionou por que razão "não apresenta uma única medida para a contratação efectiva de jovens pelas empresas".
6 de Março de 2011 às 19:34
Duarte Gomes, líder da JSD
Duarte Gomes, líder da JSD FOTO: Sérgio Lemos

Em tom irónico, os jovens sociais democratas afirmam que "o Governo  socialista pretende resolver o problema dos quase 300 mil jovens sem emprego  com uma portaria milagrosa que regula os estágios profissionais", num comunicado  enviado às redacções.

"Com este diploma, o Governo considera que um jovem, depois de anos  a investir na sua formação, mesmo tendo o grau de doutorado, tem 'um valor  de trabalho' e um capital de conhecimento que ronda os 500 euros", critica  a JSD que decidiu caricaturar a situação colocando a cara de Sócrates nessa nota de euro, junto da taxa de desemprego.

O presidente da JSD, Duarte Marques, critica a redução do valor do apoio  concedido aos estagiários - que diz representar menos 250 euros do seu  rendimento líquido -, que é ainda mais reduzido pelas contribuições para  o IRS e Segurança Social.    

"O Governo utiliza o conceito de 'estágio' de acordo com os fins mediáticos  pretendidos. Quando o objectivo é camuflar a taxa real de desemprego, o estágio  obriga a contribuições fiscais e sociais, na mesma medida de um trabalhador normal. Na realidade e para todos os efeitos, o estágio é considerado uma  experiência de formação em ambiente laboral e, como tal, é mal remunerada",  considera a JSD.   

Os jovens sociais democratas manifestam "dúvidas quanto à credibilidade dos 50 mil estágios profissionais", considerando que falharam medidas como  "os 150 mil empregos prometidos em 2005 ou os 40 mil estágios profissionais em 2009".    

"Porque têm os jovens de suportar, no presente e no futuro, as pesadas  facturas dos investimentos públicos faraónicos?", questiona Duarte Marques. 

O líder da JSD pergunta "quando vai o Governo definir 'as medidas de  apoio à contratação de jovens' (medida 32) da Iniciativa Competitividade  e Emprego, anunciada em Dezembro e da qual, até hoje, não se conhece qualquer  intenção". "Porque é que o Governo não apresenta uma única medida para a contratação  efetiva de jovens pelas empresas?", questiona.    

Duarte Marques defende que os jovens estão dispostos a fazer sacrifícios  pelo país, mas a solidariedade inter-geracional não pode ser apenas dos  mais novos para com os mais velhos", sustenta, pedindo "medidas inovadoras"  para o país.    

No último debate quinzenal, o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou cinco medidas para a promoção da inserção dos jovens no mercado de trabalho, entre as quais o aumento de 37 mil para 50 mil do número de estágios profissionais  remunerados.   

Outra das medidas passa pela "integração dos estagiários na segurança social", uma iniciativa que garante "que a carreira contributiva dos jovens  se inicia mais cedo, assegurando-lhes direitos imediatos e diferidos" e "reforça o caráter profissionalizante" da sua relação de trabalho, além  da interdição dos estágios profissionais não remunerados.  

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