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Correio da Manhã

Economia
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Kadhafi investiu em dívida do BES e do BCP

O regime líbio, através do seu fundo soberano, investiu em dívida de bancos portugueses, incluindo o BES e o BCP, segundo um relatório confidencial a que a agência Lusa teve acesso.
26 de Maio de 2011 às 13:14
Documento apresenta uma lista detalhada das participações da LIA à data de Junho de 2010 e Portugal é um dos nove países referidos no Top 10 na compra de dívida pela LIA
Documento apresenta uma lista detalhada das participações da LIA à data de Junho de 2010 e Portugal é um dos nove países referidos no Top 10 na compra de dívida pela LIA FOTO: Reuters

A compra de títulos foi realizada através da Autoridade Líbia de Investimento (LIA), o fundo soberano líbio, segundo um relatório elaborado pela consultora  internacional KPMG e a que a Lusa teve acesso.

O documento apresenta uma  lista detalhada das participações da LIA à data de Junho de 2010 e Portugal é um dos nove países referidos no Top 10 na compra de dívida pela LIA, aparecendo em sétimo lugar, à frente da Alemanha e da França.  

O relatório da KPMG aponta que a LIA terá investido, a valores de mercado calculados no segundo trimestre do ano passado, 18,13 milhões de dólares (12,8 milhões de euros) em títulos de dívida do BCP, com maturidade 19 de Janeiro de 2012, e 12,35 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) em dívida do BES, que vence um dia depois, a 20 de Janeiro de 2012.  

O documento, que apresenta os cálculos com o valor de mercado do investimento na dívida dos dois bancos no primeiro e no segundo trimestre de 2010, refere uma desvalorização entre estes dois trimestres de 2,7 milhões de dólares no caso da dívida no BCP, e de 1,6 milhões de dólares no BES.  

A LIA "é um dos fundos soberanos mais opacos e é muito difícil detectar o fluxo de investimentos feitos por Trípoli", afirmou à Lusa um consultor internacional em branqueamento de capitais e aplicação de sanções como as que se aplicam neste momento à Líbia.  

Segundo esse e outros especialistas ouvidos nas últimas semanas pela Lusa, "é uma convicção do mercado internacional que a gestão da LIA é um  assunto privado de Kadhafi, através de um dos seus filhos".  

A Líbia colocou 5 mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros) no banco francês Société Générale (SG) entre 2007 e 2010, segundo documentos a que a Lusa teve acesso e fontes contactadas em vários países, incluindo  a Líbia.  

De acordo com documentos revelados hoje pela Lusa, os 5 mil milhões de dólares investidos por Tripoli resultam de uma relação de negócios entre a SG e a Autoridade Líbia de Investimento (LIA) que remonta a 2007, e que, segundo fontes na Líbia e na Europa, "envolveu diretamente" o presidente do banco francês, Frédéric Oudéa.  

As participações líbias na SG e noutras instituições financeiras ocidentais são hoje reveladas também nos jornais ‘Financial Times’, em Londres, e ‘Le Monde’, em Paris.  

O BCP, contactado pela agência Lusa, preferiu não comentar e o BES remeteu para mais tarde uma declaração sobre o assunto.  

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