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Correio da Manhã

Economia

Leão admite entrada do Estado no Novo Banco se acionistas falharem

Ministro das Finanças assegurou aos deputados que auditoria será entregue até ao final deste mês.
Diana Ramos 16 de Julho de 2020 às 08:45
João Leão esteve ontem no Parlamento e acusou o PSD de ter feito subir o défice com medidas a que deu aval na AR
João Leão esteve ontem no Parlamento e acusou o PSD de ter feito subir o défice com medidas a que deu aval na AR FOTO: Lusa
O ministro das Finanças voltou ontem a reconhecer no Parlamento que o Estado arrisca entrar no Novo Banco caso os acionistas falhem. Já sobre as contas públicas, João Leão não descartou a possibilidade de o Governo apresentar mais um Orçamento Suplementar.

Sobre o Novo Banco, o governante frisou sempre estar a referir-se a um cenário “extremo, hipotético e futuro” sobre a possibilidade de o Estado injetar mais capital no Novo Banco, além dos 3,9 mil milhões de euros previstos no mecanismo de capital contingente. “Na intervenção nesse cenário extremo, hipotético e futuro, a acontecer, o Estado passaria a ter uma posição acionista no Novo Banco”, disse João Leão, explicando que tal hipótese está patente no acordo assinado com Bruxelas, para o caso de o banco necessitar de mais ajudas públicas e os acionistas privados não forem capazes de as garantir. “O Estado só participará se os acionistas falharem”, insistiu o ministro. Quanto à auditoria da Deloitte, pedida após a injeção de capital feita no ano passado, o governante assegurou que estará concluída até ao final deste mês.

Já quanto Às contas públicas, João Leão afirmou não existir, “de momento”, necessidade de um novo Orçamento Suplementar para responder aos efeitos da pandemia na economia do País, mas não afastou que tal venha a ser necessário ao longo do ano. “Se for necessário, não teremos problemas em fazê-lo, mas neste momento ainda não antevemos a necessidade de isso vir a ser necessário”, afiançou após questões do PSD e do CDS.

João Leão informou também os deputados de que vai rever de 6,3% para 7% a estimativa do défice de 2020, para acomodar as alterações ao Orçamento Suplementar aprovadas pelos deputados, mas deixou farpas aos sociais-democratas, acusando-os de terem aumentado o défice público com o aval à aprovação de mais medidas.

Costa já negoceia Orçamento do Estado à esquerda
O primeiro-ministro, António Costa, recebeu ontem em São Bento o Bloco de Esquerda e o PCP para iniciar as negociações do Orçamento do Estado para 2021. Depois de ter dito que não aceitava “acordos por conveniência”, Catarina Martins terminou a reunião de ontem sem declarações. Já o encontro do PCP estava marcado para as 21h00 e, até ao fecho desta edição, ainda não tinha terminado.
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