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Correio da Manhã

Economia
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Leilão dispara Bolsa

Os mercados aliviaram ontem a pressão sobre Portugal tendo o País conseguido colocar a quase totalidade dos 1250 milhões de euros em dívida a dez anos. Com o juro a baixar para os 6,7 por cento e a procura a aumentar, Portugal passou assim no teste e consegue adiar a entrada do Fundo Monetário Internacional (FMI). As bolsas internacionais também respiraram de alívio. Na praça de Lisboa, a Banca valorizou 4 por cento.
13 de Janeiro de 2011 às 00:30
Teixeira dos Santos acredita que mercados vão reconhecer esforço de Portugal.
Teixeira dos Santos acredita que mercados vão reconhecer esforço de Portugal. FOTO: d.r.

A colocação com sucesso da dívida acalmou os receios em torno das actuais dificuldades de alguns dos países periféricos europeus e deram-se sinais de optimismo nas principais praças mundiais: Lisboa somou 2,59 por cento, o IBEX madrileno disparou 5,42 por cento e Wall Street abriu a valorizar mais de 0,5 por cento. Só a Banca teve uma subida de 4 por cento na praça lisboeta, tendo experienciado a melhor sessão desde Agosto de 2010.

Com juros acima dos 7 por cento, a barreira psicológica a partir da qual se começa a desenhar um resgate conjunto da União Europeia e do FMI, desde o início da semana, este leilão era encarado como um teste fulcral à capacidade de o País se financiar no estrangeiro.

O falhanço abriria a via rápida ao pacote de ajuda de 80 mil milhões de euros que estará a ser preparado mas negado a todos os patamares pelos governantes europeus e colocaria Espanha na mira dos mercados.

"SITUAÇÃO NÃO É SUSTENTÁVEL"

Portugal colocou 1249 milhões de euros sendo que, nos títulos a 10 anos, a taxa média ponderada baixou para 6,716% face aos 6,806% observados no leilão anterior. Mesmo assim, para Filipe Silva, gestor do mercado de dívida do Banco Carregosa, "em suma, diria que Portugal consegue financiar--se, porém, a custos muito elevados, incomportáveis para as expectativas de crescimento da economia". O analista considera ainda que a longo prazo, "a situação não é sustentável e vai requerer uma solução nacional ou externa".

"PORTUGAL NÃO PRECISA DE AJUDA"

"Portugal não precisa de ajuda", foi desta forma que José Sócrates classificou o leilão de ontem. "A operação foi um sucesso, em qualquer um dos ângulos que seja analisada", acrescentou o primeiro-ministro. Sócrates assinalou que Portugal não precisa de ajuda externa para consolidar as suas contas públicas, lembrando que o défice de 2010 será inferior aos 7,3% previstos. "Não precisamos de ajuda. Somos capazes de fazer o nosso trabalho sozinhos", disse. Teixeira dos Santos sublinhou que 80 por cento da procura veio do estrangeiro.

A chanceler alemã já reagiu à emissão de obrigações nacionais sublinhando que a mesma "correu muito bem". Opinião contrária tem uma das maiores gestoras de activos do Mundo, a Pimco: "Leilões de dívida portuguesa são combinados", afirmou o responsável máximo da casa de investimento.

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