Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
3

LIXO E ÁGUA PRIVATIZADOS

O Governo vai privatizar a distribuição de água e o tratamento de lixos. Com esse objectivo o Executivo nomeou um grupo de técnicos para estudar a privatização da holding AdP – Águas de Portugal.
O grupo, que vai reunir técnicos dos ministérios da Economia, Finanças e Ambiente, deverá apresentar propostas num prazo de três meses.
27 de Novembro de 2002 às 00:00
"Queremos ter resultados num espaço de três meses nesta matéria", disse Carlos Tavares, numa conferência de imprensa à margem de uma reunião dos ministros dos Estados-membros da União Europeia responsáveis pelo sector da Energia.

O ministro negou, também, que a privatização do sector das águas tenha sido adiada.

"Temos de decidir qual o modelo técnico que pretendemos" para o sector das águas, que "ainda exige muitos investimentos", disse.

Para além da privatização do sector da água, o Governo está a estudar a privatização da Empresa Geral do Fomento (EGF), detida a 100 por cento pela AdP – Águas de Portugal.

Trata-se da principal responsável pela gestão dos resíduos sólidos urbanos em Portugal, abrangendo 141 municípios e um total de 5,5 milhões de pessoas.
Como empresa líder em ‘know-how’, capacidade técnica e gestão no sector dos lixos, é com expectativa que se aguarda o parecer do grupo de técnicos que vão estudar o modelo de privatização do grupo Águas de Portugal e cuja nomeação foi anunciada por Carlos Tavares.

No final de 2001, a EGF detinha posições maioritárias em 13 dos 14 sistemas multimunicipais existentes no país e obteve um resultado líquido positivo de 1,4 milhões de euros.

Para além da recolha e tratamento dos resíduos sólidos urbanos – através das 14 empresas concessionárias dos sistemas multimunicipais – a EGF opera também no tratamento e valorização dos resíduos industriais através da Regia – Resíduos e Gestão de Indústrias do Ambiente, que detém a 100 por cento.

Responsável pelo encerramento, em Janeiro deste ano, da última lixeira em Portugal (num total de 156), a EGF enfrenta agora o desafio de cumprir a legislação comunitária quanto ao aumento dos níveis de reciclagem e da promoção de uma crescente sensibilidade dos cidadãos para a gestão do seu lixo.

Por outro lado, tem um papel fundamental no desenvolvimento do PERSU – Plano Estratégico Sectorial de Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos.
Das empresas participadas pela EGF, a mais lucrativa – com um resultado líquido positivo de aproximadamente 10 milhões de euros, em 2001 – é a Valorsul, concessionária do sistema multimunicipal Lisboa Norte, na qual tem uma participação minoritária de 35,4 por cento.

A que registou maior prejuízo no exercício de 2001 foi precisamente a Regia, com um resultado líquido negativo de 857 mil euros. No entanto, os investimentos de 18 milhões de euros nas participadas permitiu à Regia dispor de capacidade de intervenção na reciclagem de materiais como pneus, resíduos da indústria eléctrica e embalagens industriais.
Ver comentários