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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Lojas chinesas são uma ameaça

José António Silva, presidente da principal estrutura associativa de comércio, a CCP, falou ao CM sobre a invasão chinesa.

09 de abril de 2005 às 00:00

Correio da Manhã – Em que medida é que as chamadas lojas chinesas constituem um problema para o comércio nacional?

José António Silva – Estas lojas são uma ameaça ao comércio nacional. Além de venderem mais barato, têm canais de distribuição que têm ajudado a tornar todo o processo de crescimento das importações chinesas mais célere. Os circuitos já estavam criados através destas lojas, pelo que a colocação de têxteis no mercado europeu acaba por ser mais rápido.

– Como é que a CCP vê este crescimento nas importações da China?

– Este aumento não nos surpreende. Já sabíamos que a liberalização do mercado dos têxteis iria ter este impacto imediato e a tendência é de mais crescimento.

– Qual a melhor forma de combater a invasão chinesa?

– A única via é a UE adoptar uma cláusula de protecção. Se não o fizer, o sector têxtil europeu estará condenado e morrerá nos próximos dois anos. Não pode haver uma liberalização do comércio a nível mundial enquanto houver concorrência desleal, como há neste momento.

– Concorrência desleal porquê?

– A massa salarial na China é muito baixa, é cinco ou seis vezes mais baixa do que eu Portugal e os custos sociais relacionados com o trabalho naquele país praticamente não existem. Além disso, a China tem um mercado interno muito superior ao europeu, o que ajuda a que possa ter uma produção mais elevada. A juntar a isto, aquilo que antigamente distanciava, quer em termos de barreiras alfandegárias, quer em termos de custos logísticos está cada vez mais reduzido. Hoje a distância não tem praticamente nenhum custo agravado.

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