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Correio da Manhã

Economia
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LONDRES PERMITE MILHO GENETICAMENTE MODIFICADO

O governo britânico decidiu permitir a cultura, na Grã-Bretanha, de sementes de milho geneticamente modificadas, sob certas condições, o que provocou uma onda de protesto dos ambientalistas que prometem tornar este tema uma verdadeiro “pesadelo” para Tony Blair.
9 de Março de 2004 às 18:24
Diante da Câmara dos Comuns (parlamento inglês), a ministra do Ambiente, Margaret Beckett, decidiu dar luz verde ao cultivo de sementes de milho geneticamente modificadas, sob certas condições.
Margaret Beckett tinha anunciado anteriormente que o governo britânico se opunha à cultura comercial de sementes de beterrabas e de oleaginosas. “A segurança, saúde e ambiente tem que estar acima de qualquer decisão”, referiu a ministra do governo de Blair, acrescentando que “não espera que nenhuma plantação de milho geneticamente modificado fosse colhida antes da Primavera de 2005”.
A ministra do Ambiente precisou que as licenças estabelecidas para a cultura de milho geneticamente modificado expirarão em Outubro de 2006. A decisão foi bem recebida pela União Nacional de Agricultores que aconselhou o governo a avançar com cautela.
Por outro lado, as associações de defesa do ambiente manifestaram-se de forma enérgica contra a decisão tomada hoje. De acordo com o responsável da organização Amigos da Terra, Tony Juniper, “Tony Blair não deve ignorar a ameaça dos alimentos modificados e do mal que podem trazer à saúde, alimentação, agricultura e ambiente”.
“Há milhares de pessoas prontas para ‘lutar’ contra Blair neste decisão. O resultado pode ser o caos durante o ano de eleições”, afirmou uma porta-voz da Greenpeace, Sarah North.
UNIÃO EUROPEIA REGULA SECTOR
Depois de ter proibido a utilização agrícola de sementes transgénicas, por causa das suspeitas das suas implicações nocivas para a saúde humana e a biodiversidade, no final da década de 90, Bruxelas já avisou os Estados-membros de que têm de definir as medidas que pretendem adoptar para a coexistência da prática das agriculturas convencional, biológica e transgénica, ainda que esta abranja apenas as sementes autorizadas.
A decisão da Comissão, aprovada no final de Janeiro, baseia-se na convicção de que as sementes de "OGM autorizadas na União Europeia (UE) são propícias ao consumo humano", nas palavras do próprio presidente da Comissão Europeia. Para Romano Prodi, "as regras de etiquetagem claras permitem aos agricultores escolher o que querem plantar e aos consumidores o que querem comprar". E, assim sendo, "é lógico que este sistema continue a ser aplicado na prática e que a UE continue a tratar as autorizações suspensas" para algumas variedades de sementes de OGM.
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