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Correio da Manhã

Economia
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Luís Champalimaud: O herdeiro que ficou com a fábrica de cimento

Luís Champalimaud tornou-se conhecido por ter liderado o grupo financeiro criado pelo pai nos anos 90, mas foi na cimenteira em Minas Gerais que teve o seu primeiro emprego.
23 de Maio de 2014 às 06:00
Em 1992, Luís Champalimaud tornou-se no braço-direito do pai no império financeiro
Em 1992, Luís Champalimaud tornou-se no braço-direito do pai no império financeiro FOTO: Paulo Duarte

Luís Champalimaud tem 62 anos e gere as suas participações e os bens imobiliários a partir do seu escritório em Lisboa. No Brasil tem uma equipa de gestão.

Ranking: 19.º

Riqueza: 303,6 milhões

Património: Confiança SGPS (100%), Cimentos Liz (Brasil, 71,12%),  herdades

Quando se deu o 25 de Abril de 1974, Luís Champalimaud tinha 22 anos e frequentava Economia no Instituto Superior de Economia e Sociologia de Évora, tendo seguido o pai, António Champalimaud, primeiro para Paris, onde este vivia desde 28 de setembro de 1974, e depois, em 1975, para Brasil. Tornou-se diretor comercial da empresa de Cimentos Liz, que então se chamava Soeicom. Estava em fase de construção, só começando a produzir cimento a 24 de junho de 1976. Até ao fim da década de 70, a empresa viveu no fio da navalha, com problemas técnicos e ameaças dos credores. Quando estava a prosperar, em 1984, teve de se bater numa dura guerra de preços. Resistiu sempre em Vespasiano, hoje região metropolitana de Belo Horizonte.

Em 1982, Luís Champalimaud passou a administrador delegado da cimenteira, que só deixaria dez anos depois quando teve de substituir o irmão, João Champalimaud, assassinado por um antigo caseiro, pouco depois da compra da seguradora Mundial-Confiança, em abril de 1992. Tornou se no braço-direito do pai no império financeiro. Depois da seguradora, somou o Banco Pinto & Sotto Mayor e os bancos Totta & Açores e Crédito Predial Português, em 1995, e o Banco Chemical, em 1996. Curiosamente foi no BPSM que, em julho de 1967, com 15 anos, Luís Champalimaud trabalhou durante as férias.

Construído o império financeiro, António Champalimaud decidiu que seria importante encontrar um parceiro. Teve encontros com banqueiros portugueses, espanhóis, franceses, alemães e americanos. O negócio acabou por se firmar em junho de 1999 e pressupunha uma associação com o grupo Santander, mas o lobby dos banqueiros nacionais e a incomodidade do governo levaram o então ministro das Finanças, Sousa Franco, a bloquear o negócio, que só se resolveria quase seis meses depois e acabou com a partilha do império financeiro pelo Santander, BCP e CGD, ficando António Champalimaud com 4% do Santander.

Em 2000, depois deste negócio, Luís Champalimaud afastou-se dos negócios do pai, deixando a administração da cimenteira em que se mantivera até então. Só depois da morte do pai, em 2004, é que Luís Champalimaud voltou a ter o seu nome em conselhos de administração de grandes empresas. Foi administrador não executivo da Portugal Telecom e, mais tarde, passou por órgãos do BCP.

Em 2005 assumiu o controlo da empresa de Cimentos Liz, que é hoje o seu principal ativo.

Em 2011 tentou cotar a cimenteira na Bolsa de São Paulo, mas acabou por recuar devido às condições desfavoráveis do mercado de capitais brasileiro. A oferta das ações avaliava a cimenteira em cerca de 560 milhões de euros.

A fábrica tem capacidade de produção de 3,2 milhões de toneladas de cimento por ano.

Em 2011, quando tentou cotar a cimenteira em Bolsa, a empresa foi avaliada em cerca de 560 milhões

Alentejo e a caça são as grandes paixões

Em 2001, Luís Champalimaud casou-se com Andrea Baginski, 49 anos, que se licenciara em Economia, mas estudara História da Arte Contemporânea e Escultura, e convivera com artistas brasileiros como Ernesto Neto, Beatriz Milhazes ou Adriana Varejão. Por isso, não foi surpresa quando em 2002 abriu a Galeria Baginski em Lisboa.

O Alentejo, o tiro e a caça são as suas grandes paixões. A Herdade do Belo, em Mértola, com 1600 hectares, adquirida pelo pai em 1962, é desde essa altura o refúgio preferido de Luís Champalimaud.

Aos 20 anos, chegou a ser campeão da Europa de tiro aos pratos. Anos antes tinha estado a fazer tratamentos em Alcoitão por causa da poliomielite.

Em 2007, a Herdade da Raposa (1030 hectares), também em Mértola e comprada por António Champalimaud em 1972, foi reconhecida, pela Comissão Europeia, como uma das primeiras quatro Wildlife Estates, que é um sistema de certificação para zonas de caça. As outras foram La Garganta (Espanha), Chasse de la Couronne (Bélgica) e Domaine de Chambord (França).

É o sétimo dos oito filhos de António Champalimaud, sendo que o oitavo é uma filha, que nasceu a 5 de novembro de 1954 de um affaire extraconjugal de António Champalimaud e só foi reconhecida em 2003. Luís Champalimaud é primo da família Mello por parte da mãe, Maria Cristina de Mello, e é o único que assina Melo, só com um ele, por erro de quem o foi registar. Tem quatro filhos: Inês, 34 anos, Luís, 26, Maria João, 15, e Carlota, 9.

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