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Correio da Manhã

Economia

MAÇÃ DE ALCOBAÇA TRAVA ESPANHÓIS

Os produtores de maçã de Alcobaça estão empenhados em combater a proliferação de maçã espanhola no mercado nacional e já conquistaram o interesse de onze grandes cadeias de supermercados para distribuição deste fruto.
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
A produção de 2003 deverá ter atingido perto de vinte mil toneladas, um terço das quais, de primeira qualidade, deverão ser comercializadas por grandes grupos de distribuição, como a Sonae, Pingo Doce e Carrefour. A fruta poderá ser encontrada à venda a granel, saco ou ‘barquettes’ de duas ou quatro maçãs.
Para fazerem parte deste projecto, cerca de 500 fruticultores organizaram-se em dez associações de produtores e cooperativas, e tornaram-se sócios da Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça, sujeitando-se a elevados padrões de qualidade em termos de produção, armazenamento, tratamento ecológico de pragas e comercialização.
Na campanha lançada em 2001, quando arrancou o projecto, a ideia da associação foi apenas de testar o mercado, tendo desde logo atraído o interesse de três grupos de distribuição. Em 2002, já abrangeu nove grupos e este ano o leque é alargado a onze grupos de distribuição.
Jorge Soares, presidente da associação, considera que “nos últimos anos o mercado se banalizou com a importação de maçãs de todos os pontos do mundo, entrando os produtos mais baratos, mas de menor qualidade”.
Segundo descreve, a Maçã de Alcobaça “é produzida com pouca água e o facto de se desenvolver próximo do mar confere-lhe características próprias que inibem o desenvolvimento em tamanho, mas fomentam a formação de muitos compostos orgânicos, como os açúcares e os ácidos, que lhes dão sabor e consistência”.
O primeiro objectivo da associação era valorizar a Maçã de Alcobaça, o que foi conseguido, já que é vendida trinta a quarenta por cento mais cara ao consumidor do que a indiferenciada.
Para divulgar o produto têm sido realizadas acções de divulgação e degustação em feiras de gastronomia e hipermercados.
A área classificada como Indicação Geográfica Protegida pela União Europeia, no total de 800 hectares, é a dos antigos Coutos de Alcobaça, criados no século XII pela Ordem de Cister, e integra parte dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Porto de Mós, Nazaré e Alcobaça. O uso da Indicação Geográfica obriga a que a maçã seja produzida de acordo com o caderno de especificações, o qual inclui as condições de produção, colheita e acondicionamento do produto.
DENOMINAÇÃO REDUTORA
“A questão específica da maçã da região de Alcobaça é uma demonstração da falta de bairrismo e de identidade regional”, comenta Feliz Alberto Jorge, secretário-geral da Associação de Agricultores do Oeste (AAO), interrogando: “Afinal, o que somos, somos oestinos ou híbridos perdidos no tempo e no espaço?”.
Aquele responsável defende que “esta maçã devia pertencer a uma região geográfica que incluísse os concelhos do Bombarral, Cadaval, Torres Vedras e Lourinhã, devia ser Maçã do Oeste, como a Pêra Rocha do Oeste, porque quando este processo da pêra foi projectado, o concelho do Bombarral era o maior produtor e centro de negócio deste fruto, mas houve alguém que deixou as visões egocêntricas à entrada das salas de reuniões e considerou o Oeste mais importante”.
ESTADO PROMETE APOIO À PÊRA
O Governo vai apoiar a plantação de pomares de pêra rocha na região Oeste, para fazer face à insuficiente produção, que não satisfaz as necessidades do mercado estrangeiro. A garantia foi dada pelo ministro da Agricultura, Sevinate Pinto, em Óbidos, durante uma iniciativa dedicada a este fruto. O ministro revelou que em 2004 serão desbloqueadas verbas para responder às pretensões da Associação Nacional de Produtores de Pêra Rocha (ANP), segundo a qual, se este ano tivesse havido maior produção tinha-se vendido muito mais pêra rocha do Oeste em países como a Rússia, Reino Unido, Brasil ou Canadá. O mercado nacional absorve cerca de 60 por cento da produção sendo a restante distribuída no estrangeiro. A pêra ocupa dez mil hectares de terreno e a produção oscila entre oitenta a cem mil toneladas. Ricardo Machado, secretário-geral da ANP, refere que “a produção é insuficiente, sendo necessário aumentá-la em mais mil hectares nos próximos dois anos”.
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