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Correio da Manhã

Economia
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Madrid altera acordo para o TGV

O governo espanhol alterou à revelia do seu congénere português o acordo ibérico para a ligação ferroviária de alta velocidade. Os espanhóis querem comboios de mercadorias a circular no segmento de linha da Estremadura, alteração que inviabiliza a ligação Lisboa-Madrid no tempo máximo de três horas, factor de base para que o projecto tenha financiamentos comunitários.
11 de Março de 2005 às 11:14
A revelação é feita pelo "Diário Económico". De acordo com aquele jornal, o ministro (cessante) das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mexia, enviou há cerca de um mês uma carta de protesto à sua homóloga espanhola, Magdalena Álvarez (ministra do Fomento), mas a missiva nem sequer teve resposta. O DE apurou que uma segunda carta foi recentemente enviada.
Fonte oficial do Minsitério do Fomento de Espanha confirmou ao DE a recepção de uma carta de Mexia, na qual o ministro português solicita uma reunião bilateral, para discutir as alterações espanholas ao projecto ibérico de TGV.
Madrid quer diminuir a velocidade máxima (de 350 km/h) na linha Madrid-Badajoz, nomeadamente na zona da Estremadura, para aí implementar um traçado misto, contemplando a circulação de comboios de mercadorias, a uma velocidade máxima de 120 km/h. A ligação ferroviária de alta velocidade entre Madrid e Badajoz é a parte espanhola da ligação que continua por Évora e Elvas, até Lisboa, ligando as duas capitais ibéricas em TGV. O projecto está previsto ficar concluído em 2010 e tinha como objectivo assegurar que a ligação ferroviária entre as duas capitais fosse feita em 3 horas, condição essencial (limite) para a obtenção de fundos comunitários.
O acordo ibérico para o TGV foi formalizado pelos ex-primeiros-ministros Durão Barroso e José Maria Aznar na Figueira da Foz e depois confirmado pelo actual chefe do governo espanhol, José Luís Zapatero, numa cimeira luso-espanhola realizada em Santiago de Compostela.
Os dois governos acordaram quatro ligações ibéricas em TGV: Porto-Vigo (a concluir em 2009); Lisboa-Madrid (2010); Porto-Madrid, com passagem por Aveiro e Salamanca (2015); e Faro-Madrid, com passagem por Huelva e Sevilha (2018). Este último traçado não estava previsto no acordo inicial e ainda pode ser sujeito a alterações.
De acordo com o DE, o governo espanhol não só decidiu alterar o projecto de ligação TGV Lisboa-Madrid à revelia do governo português como não respondeu à primeira carta de protesto e não reagiu a uma reunião de pressão realizada esta semana na Embaixada de Espanha em Lisboa.
Como se não bastasse, fonte oficial do Ministério do Fomento de Espanha justificou ao DE que o governo espanhol tem todo o direito de alterar o projecto mediante avaliação de impacte ambiental (uma versão que não parece estar em sintonia com a opção obviamente estratégica de introduzir o transporte de mercadorias no projecto) e questionou a velocidade máxima prevista no lado português do traçado.
Segundo o DE, a RAVE vai receber uma delegação espanhola da ADIF (equivalente à portuguesa Refer), na próxima segunda-feira, para debater o projecto ibérico de TGV. Pelos vistos, a discussão vai ficar ao nível técnico, passando ao lado do visível incómodo político... que está agora nas mãos de Mário Lino, o novo ministro português das Obras Públicas.
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