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Correio da Manhã

Economia
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Mais cortes nos ordenados

FMI exige mais reduções nos salários dos funcionários públicos e prolongamento dos sacrifícios.
28 de Abril de 2011 às 00:30
Equipa do FMI, BCE e CE esteve ontem nas Finanças
Equipa do FMI, BCE e CE esteve ontem nas Finanças FOTO: Mariline Alves

O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer que sejam aplicados mais cortes nos salários dos funcionários públicos e que a sua duração seja prolongada durante cinco anos. Ou seja, as reduções nos ordenados na Administração Pública e nas empresas do Estado acima de 1500 euros por mês, que foram aplicadas em 2011 e estavam previstas até 2013, poderão ser agravadas e inclusive vigorar até 2016.

A necessidade de reforçar os cortes nos vencimentos dos funcionários do Estado já foi referida em algumas reuniões. E, segundo apurou o CM, os técnicos da troika do FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE) deixaram claro que "na política salarial do Estado os sacrifícios deveriam ser aumentados e prolongados por um período de cinco anos".

Como na Grécia e na Irlanda a primeira medida do FMI passou pela aplicação de cortes nos salários dos funcionários públicos, não admira que a mesma receita esteja a ser preparada para Portugal. Desde logo porque a redução dos vencimentos permite obter resultados imediatos na diminuição de gastos do Estado.

A prova disso é que, segundo as próprias previsões do Governo, o corte de 5% na despesa com ordenados dos funcionários do Estado e das empresas públicas em 2011 permitirá uma poupança na ordem dos mil milhões de euros.

No ano passado, os gastos com pessoal ascenderam a 11,4 mil milhões de euros.

Os técnicos da troika já têm praticamente concluído o plano que define as medidas que Portugal terá de cumprir. E este deverá ser entregue ao Governo até ao final desta semana, a fim de ser aprovado até dia 4 de Maio. O apoio financeiro, que permitirá a Portugal fazer face aos seus compromissos nos próximos anos, ascenderá a 80 mil milhões de euros.

DECO EXPÕE ENDIVIDAMENTO

O sobreendividamento das famílias portuguesas marcou ontem a reunião da Deco – Associação para a Defesa dos Consumidores com os representantes da troika que estão a preparar o plano de ajuda financeira a Portugal.

"Demos especial ênfase ao apoio que prestamos às famílias sobreendividadas", frisou ontem Alberto Regueira, vice-presidente da Deco. No ano passado, a associação ajudou cerca de três mil famílias, num total de cerca de 17 mil créditos incumpridos.

A reunião da Deco com os representantes da troika, a "pedido desta", durou quase uma hora.

PORTUGAL EM OITAVO LUGAR NA POBREZA INFANTIL

A taxa de pobreza infantil em Portugal é de 16,6%, um valor superior à média de 12,7% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Segundo um estudo publicado ontem, Portugal apresenta a oitava maior taxa de pobreza infantil entre os 34 países da OCDE, atrás de Israel, do México, da Turquia, dos Estados Unidos, da Polónia, do Chile e de Espanha. A Dinamarca, Noruega e Finlândia têm as menores taxas: de 3,7%, 4,2% e 5,5% respectivamente.

CAVACO ALERTA NO FACEBOOK

O Presidente da República escreveu ontem no Facebook que na cerimónia do 25 de Abril ficou claro que "existe um compromisso patriótico de unidade que deve juntar os portugueses". 

JUROS DA GRÉCIA A 25%

A pressão dos mercados financeiros sobre a Grécia e Portugal não pára: ontem, a taxa de juro da dívida pública grega a dois anos atingiu pela primeira vez os 25%; a da portuguesa ultrapassou os 11,8%.

A subida imparável dos juros das dívidas soberanas destes países resulta dos receios cada vez maiores dos investidores de que a Grécia terá de reestruturar a sua dívida. Por isso, a dívida pública grega a 10 anos bateu um novo recorde, ao atingir os 15,529%.

As taxas de juro da dívida pública portuguesa subiram ontem em todos os prazos, com excepção dos prazos de três e cinco anos. Os juros a 10 anos ultrapassaram os 9,7%.

Ontem, a possibilidade de um reescalonamento da dívida grega foi reforçada depois de um relatório do Eurostat ter indicado que Irlanda, Grécia, Espanha e Portugal apresentaram os défices orçamentais mais elevados da Zona Euro em 2010. Caso ocorra uma reestruturação da dívida da Grécia, os investidores serão penalizados nos seus investimentos.

FMI AJUDA EXTERNA FUNÇÃO PÚBLICA ORDENADOS SALÁRIOS
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