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Correio da Manhã

Economia
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"Mais de metade dos desempregados não recebe subsídio"

O ex-presidente do Conselho Económico e Social (CES) Alfredo Bruto da Costa alertou esta sexta-feira para o facto de mais de metade dos desempregados não receberem subsídio de desemprego, defendendo que o Governo deveria acautelar a situação da pobreza em Portugal.
30 de Novembro de 2012 às 20:27
Bruto da Costa alerta para o número de desempregados que já não recebem subsídio
Bruto da Costa alerta para o número de desempregados que já não recebem subsídio FOTO: Lusa

"Um dos efeitos mais visíveis [das medidas de austeridade] é o desemprego e sabemos que o desemprego aumenta e que, independentemente de haver subsídio de desemprego que é insuficiente para uma família viver, temos casos de mais de metade dos desempregados que não têm nada", afirmou o antigo presidente do CES.

No entanto, e apesar de haver uma relação directa entre a austeridade e ao aumento do desemprego e da pobreza, Bruto da Costa salientou que "a pobreza não é totalmente explicada pelo desemprego".

À margem da conferência 'Empobrecimento. Construir a ajuda', organizada pelo Jornal de Negócios e pela Antena 1, que decorreu em Lisboa, Bruto da Costa lamentou que o Governo não esteja a fazer o devido acompanhamento da situação real de pobreza em Portugal.

Defendeu, por isso, a realização de inquéritos anuais nacionais sobre o tema, não devendo Portugal "aguardar por dados estatísticos do Eurostat" para, posteriormente, analisar a situação real do País.

"O País devia ter formas de inquéritos mais leves, anuais também, para que possamos ter uma ideia mais concreta de como atacar a pobreza", disse o antigo presidente do CES. Referiu ainda que a análise do desemprego não pode limitar-se ao indicador do desemprego.

E advertiu: "Hoje não podemos limitar a análise da questão do emprego ao indicador do desemprego. A análise do mercado de trabalho não pode ser apenas avaliado em termos de taxa de desemprego. Há muitas outras situações de emprego precário, de pessoas que estão em curso de formação e que estatisticamente não figuram nos números oficiais".

"Os efectivamente desempregados em número são muitos mais do que esses que estão catalogados como desempregados", rematou Bruto da Costa.

De acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal subiu para 16,3% em Outubro, acima dos 16,2% de Setembro, sendo a terceira mais alta entre os Estados-membros.

Nos números divulgados esta sexta-feira, o gabinete de estatísticas da União Europeia (UE) reviu em alta os dados divulgados a 31 de Outubro, que apontavam para uma taxa de desemprego de 15,7% em Portugal, em Setembro. Em agosto, a taxa de desemprego em Portugal também já tinha atingido os 16,3%.

Na zona euro, a taxa de desemprego subiu para 11,7% em Outubro, contra 11,6% em Setembro, enquanto na União a 27 aumentou para 10,7%, em comparação com os 10,6% observados no mês anterior.

Entre os Estados-membros, Portugal continua a ter a terceira taxa de desemprego mais elevada. Entre os jovens (com menos de 25 anos), Portugal registou um aumento, em termos mensais, com a taxa a passar de 39% em Setembro para 39,1% em Outubro, acima das taxas de 23,9% e 23,4% observadas na zona euro e na UE, respectivamente.

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