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Correio da Manhã

Economia
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MAIS GREVES EM 2004

Os trabalhadores da Administração Pública deixaram ontem um forte sinal do clima de instabilidade social que poderá marcar os serviços públicos em 2004.
22 de Novembro de 2003 às 00:00
Com a greve nacional de 24 horas a registar uma adesão global que “não será inferior a 70 por cento”, segundo a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, os funcionários do Estado mostraram o seu descontentamento ao Governo e, por isso, “tudo está em aberto para fazer greves, manifestações ou concentrações em 2004”, afirma Paulo Trindade, dirigente daquela frente sindical.
A greve de ontem, que foi convocada pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, afectou, sobretudo, o funcionamento dos hospitais, escolas e autarquias, com a recolha nocturna do lixo a registar uma adesão de cem por cento em cidades como Matosinhos, Seixal e Barreiro. Paulo Trindade já disse que, “a manter-se a política do Governo para a Administração Pública, a luta irá continuar em 2004, adoptando-se as medidas mais apropriadas na altura”.
Para já, esta frente sindical vai apelar aos funcionários públicos para estarem presentes na manifestação organizada pela CGTP Intersindical no próximo dia 29 de Novembro. Tudo porque, como diz Paulo Trindade, a proposta de reforma do sector público não é mais do que “uma ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e uma tentativa de privatização das funções sociais do Estado, como a saúde e a Segurança Social”.
A contestação só terminará desde que o Governo adopte “medidas para aumentar a eficiência dos serviços públicos”, sublinha o dirigente sindical. Os sindicalistas estão também apreensivos sobre a proposta do Governo para o aumento dos salários em 2004. Com as dificuldades orçamentais, receia-se que a proposta seja igual à previsão da taxa de inflação. “O que obviamente não será aceite, porque implica uma nova perda de poder de compra”, diz Paulo Trindade. A frente quer 5,5 por cento de aumento.
JUSTIÇA PARADA
A primeira secção criminal do Tribunal de Setúbal tinha ontem um aspecto desolador. Nenhum funcionário compareceu e os julgamentos foram adiados.
REFORMA VAI CONTINUAR
A secretária de Estado da Administração Pública considerou "baixos" os índices de adesão à greve decretada na Função Pública, assegurando que a reforma do sector "vai continuar" e tem o apoio da maioria dos portugueses. Após a aprovação do Orçamento do Estado no Parlamento, Suzana Toscano disse recusar-se "a entrar em qualquer guerra de números" sobre a adesão à greve, mas classificou "absolutamente irrealista" a estimativa dos sindicatos.
NOTA
UGT
A UGT negou a utilização de "métodos dilatórios" no processo que a envolve no desvio de Fundos Sociais Europeus e garantiu que o pedido de recurso à não prescrição de parte dos factos foi apresentado por outra entidade. O ex-dirigente sindical Torres Couto e mais 36 arguidos do referido processo vão ser julgados por fraude, dado que o Supremo Tribunal de Justiça considera que o processo não prescreveu.
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