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Correio da Manhã

Economia
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Mangualde: Peugeot Citroen despede 350

A PSA - Peugeot Citroen de Mangualde vai, a partir de Abril, deixar de ter o terceiro turno de produção, não renovando os contratos aos 350 trabalhadores que o integram, anunciou esta sexta-feira o director financeiro da empresa.
17 de Fevereiro de 2012 às 12:03
Empresa anunciou que vai encerrar terceiro turno de produção, lançando 350 trabalhadores para o desemprego
Empresa anunciou que vai encerrar terceiro turno de produção, lançando 350 trabalhadores para o desemprego FOTO: Nuno André Ferreira

Em declarações à agência Lusa, Elísio Oliveira explicou que, a partir de 2 de Abril, "a empresa retoma a produção em dois turnos", acabando com a equipa da noite, que tinha entrado em Novembro de 2010.

"Anunciámo-la por um período transitório de seis meses para fazer face às encomendas que naquele contexto de mercado nos eram favoráveis. Tudo fizemos para prolongar a equipa até ao limite das nossas possibilidades, tendo em conta o mercado e a flexibilidade que tínhamos por via da bolsa de horas", explicou.

No entanto, "face à quebra das economias, nomeadamente europeias, quer no final de 2011, quer às perspectivas de crescimento quase nulo em toda a Europa", o Centro de Produção de Mangualde tem de "rever os programas de produção" e fazer novo ajustamento.

"A partir do segundo semestre do ano passado começou a haver um arrefecimento da economia, com reflexo nos mercados, e pressentia-se que os mercados estavam a cair e que, eventualmente, poderíamos ter de fazer ajustamentos", acrescentou.

O responsável disse que teria sido mais cómodo fazer esse ajustamento no final do ano de 2011, mas a empresa decidiu entrar ainda com a terceira equipa em 2012, até ter uma "visão mais robusta" do conjunto do ano.

"Face aos dados que temos, não podíamos deixar de ajustar a actividade da empresa, porque o fundamental é manter a sua competitividade e vitalidade para que a prazo, quando a conjuntura melhorar, possamos ter de novo a oportunidade de retomar os níveis de emprego que temos actualmente", frisou.

Elísio Oliveira garantiu que, neste momento, é impossível prolongar o terceiro turno, porque se corria o risco de "pôr em causa a empresa toda" e, consequentemente, os restantes trabalhadores.

"O emprego só é sustentado com produção. Não havendo produção, uma vez que a economia é volátil e regular, há uma franja de emprego que não pode deixar de acompanhar essa irregularidade do mercado", afirmou.

A previsão global da produção para este ano deverá situar-se entre os 40 e os 45 mil veículos. A empresa ficará com cerca de 900 trabalhadores.

O director financeiro explicou à Lusa que, para "produção transitória", a empresa não pode ter "emprego definitivo, porque isso é matar a empresa".

Desta forma, a empresa não poderá renovar os contratos dos 350 trabalhadores, mas garante que honrará todos os compromissos legais e os apoiará junto do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Elísio Oliveira tem esperança de que a empresa ainda consiga recuperar o terceiro turno, "assim os mercados cresçam e o justifiquem", até porque "está no seu ADN" criar emprego e ganhar dimensão.

"Nos últimos 20 anos tivemos um emprego médio de mil pessoas, nos últimos dez anos um emprego médio de 1200 e sempre que temos oportunidade de crescer tudo fazemos para agarrar. Temos tido a confiança e a melhor colaboração do grupo nesse sentido", contou.

Os primeiros trabalhadores a serem informados do fim do terceiro turno foram aqueles que o integram, na quinta-feira à noite. Durante o dia de hoje a administração vai dar conhecimento aos restantes.

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