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Correio da Manhã

Economia
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Medidas de apoios para combater efeitos da pandemia continuam necessários para evitar riscos financeiros, defende FMI

"Atual apoio de políticas permanece necessário até que uma recuperação sustentável ocorra", diz Relatório da Estabilidade Financeira Mundial.
Lusa 27 de Janeiro de 2021 às 13:41
Kristalina Georgieva FMI
Kristalina Georgieva FMI
As medidas políticas de apoio tomadas para contrariar os efeitos económicos da pandemia de covid-19 devem permanecer, de forma a evitar potenciais contágios para o sistema financeiro, defende o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na atualização do Relatório da Estabilidade Financeira Mundial, esta terça-feira divulgada, pode ler-se que "o atual apoio de políticas permanece necessário até que uma recuperação sustentável ocorra, para evitar que a crise pandémica coloque uma ameaça ao sistema financeiro mundial".

Segundo defende o FMI, "a comunidade mundial deve procurar a cooperação multilateral no desenvolvimento e distribuição de vacinas equitativos, para assegurar uma recuperação económica completa e equilibrada".

"Uma ponte até ao ponto em que as vacinas estão amplamente disponíveis requer a preservação de uma política monetária acomodatícia, o assegurar de apoios de liquidez para os agregados domésticos e empresas, e a manutenção de riscos financeiros à distância", de acordo com a atualização conhecida hoje.

A instituição sediada em Washington alerta ainda os decisores políticos para a possibilidade "dos riscos de correções de mercado, caso os investidores reavaliem subitamente as perspetivas de crescimento ou das medidas políticas".

"Os riscos de estabilidade financeira estão sob controlo até agora, mas é necessária ação para lidar com vulnerabilidades financeiras expostas pela crise", defende o FMI, que elenca "a dívida das empresas, fragilidades no setor financeiro não bancário, aumento da dívida pública, desafios nos acessos aos mercados em algumas economias em desenvolvimento e declínio da rentabilidade em alguns sistemas bancários" como problemas.

Para a instituição liderada por Kristalina Georgieva, "adotar políticas macroprudenciais para atacar estas vulnerabilidades é crucial para colocar em risco o crescimento no médio prazo".

O FMI considera que "a aprovação e distribuição de vacinas aumentou as expectativas de uma recuperação mundial e aumentaram os riscos de preços dos ativos, apesar do aumento dos casos de covid-19 e incertezas persistentes acerca das perspetivas económicas".

"A muito discutida desconexão entre os mercados financeiros e a economia persiste", refere o documento do FMI, acrescentando que "apesar do recente aumento das taxas de longo prazo nos Estados Unidos, os participantes no mercado apontam para expectativas de taxas muito baixas nos próximos anos e revisões em alta nas expectativas de rendimentos desde o anúncio das vacinas como justificação para o 'rally' nos mercados".

O documento aponta que "as pressões de solvência têm sido limitadas até agora", mas "a dívida dos agregados domésticos deve aumentar", e apesar dos riscos terem vindo a ser "mitigados pelo apoio governativo significativo, programas de alívio e quedas das taxas de juro", o FMI salienta que "os agregados mais pobres e marginalizados foram substancialmente mais atingidos que outros".

O FMI salienta ainda que "os bancos não foram parte do problema até agora", dado que entraram na pandemia "com uma grande quantidade de capital e elevadas 'almofadas' de liquidez", tendo mostrado "resiliência até agora".

"No entanto, desafios à rentabilidade num ambiente de baixas taxas de juro colocam em questão a capacidade ou vontade dos bancos para continuar a emprestar nos próximis trimestres", pode ler-se no documento.

Segundo o FMI, "os bancos podem estar preocupados acerca do aumento das exposições de crédito e subida do crédito malparado quando as medidas de apoio acabarem, especialmente onde a recuperação esteja atrasada ou incompleta".

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