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Correio da Manhã

Economia
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Menos compras no Natal e Ano Novo em casa

A crise já se faz definitivamente sentir na carteira dos portugueses. Este ano, o Natal será menos dispendioso e a Passagem de Ano vai ser, para muitos, assinalada em casa, de acordo com uma sondagem CM/Aximage.

23 de Dezembro de 2011 às 01:00
Portugueses vão gastar menos em prendas
Portugueses vão gastar menos em prendas FOTO: Sérgio Lemos

A maioria dos inquiridos (69%) afirma que conta gastar menos do que no ano passado em prendas de Natal. Por outro lado, 27,7% dos inquiridos na sondagem dizem que vão gastar o mesmo que em 2010, enquanto uma minoria (1,4%) acredita que gastará mais. Há ainda 1,9% sem opinião em relação aos gastos natalícios.

A maioria dos portugueses parece aliás estar bastante sensibilizada para as dificuldades que o País atravessa. Afinal, 82,5% dos inquiridos responderam negativamente à possibilidade de ficarem incomodados se, porventura, recebessem uma prenda em segunda mão. Apenas 14,6% afirmaram que ficariam incomodados e 2,9% preferiram não manifestar a sua opinião.

Em matéria de planos para a Passagem de Ano, a sondagem CM/Aximage revela que, provavelmente numa tentativa de tornar a noite menos dispendiosa, a maioria dos portugueses (79,9%) vai assinalar a entrada em 2012 em casa. Do universo de entrevistados, apenas 13,6% fazem planos para passar o Ano Novo fora de casa e 6,5% ainda não decidiram o que fazer na noite do réveillon.

Mas os portugueses parecem não só ter pouca disposição para sair de casa como não estar com espírito festivo. O estudo de opinião indica que dos 79,9% de eleitores que vão passar a noite de Ano Novo em casa, 48,5% não pensam convidar familiares ou amigos para brindar, contra 46,7% que optam por celebrar a noite junto de quem mais gostam. Em contraste, do universo de 13,6% de portugueses que fazem planos para festejar as 12 badaladas fora de casa, 70,2% garantem que vão participar numa festa, enquanto 28,4% dizem que não.

Relativamente aos gastos com a Passagem de Ano, constata-se que há maior disponibilidade para abrir os cordões à bolsa do que com a noite de Natal.

Segundo a sondagem, 48,1% dos entrevistados pensam gastar o mesmo que no ano passado. Mais cautelosos, 45,2% responderam que fazem planos para gastar menos na noite de réveillon deste ano. Mais uma vez, uma minoria de inquiridos (3,9%) acreditam que os gastos serão superiores aos de 2010.

BOLHÃO COM PIOR ANO DE SEMPRE

Para Alcino Sousa, da Associação Comercial do Mercado do Bolhão, este foi o pior ano de sempre. "A renovação do espaço podia ajudar o comércio das ruas próximas, como Santa Catarina." Este ano, 300 vendedores já deixaram o mercado.

MENOS 40% NAS VENDAS DESTE ANO

"O corte no subsídio de Natal e o clima de negativismo estão a provocar uma quebra de vendas próxima dos 40 por cento" na região de Leiria, segundo Pedro Olaio, presidente da Associação Comercial e Industrial de Leiria, Batalha e Porto de Mós (ACILIS).

COMPRAM PRENDAS MAIS BARATAS

As associações de comerciantes do Alentejo dizem que os consumidores estão a comprar artigos mais baratos e de primeira necessidade. As quebras nas vendas situam-se entre os 30 e 50%.

QUEBRA DE 30% NO COMÉRCIO ALGARVIO

No Algarve, a quebra de vendas no Natal é de cerca de 30%. A situação preocupa a Associação do Comércio (ACRAL), que vai organizar duas feiras de retalho, em Portimão e Faro, nos primeiros dias de Janeiro, para "ajudar os comerciantes".

CUIDADO COM A SEGURANÇA DOS BRINQUEDOS

Nos dois dias antes do Natal, em que escasseia o tempo para a compra das últimas prendas, a Deco aconselha a que se tenha atenção redobrada, em particular com os brinquedos das crianças.

É preciso verificar se os brinquedos respeitam todas as regras de segurança, para garantir que não constituem um perigo para as crianças. Com a tendência para os miúdos deixarem de lado brinquedos mais antigos, a Associação para a Defesa do Consumidor apela a que estes sejam doados a instituições, de modo a servirem para outras crianças. Uma vez entregues as prendas, a Deco aconselha a que estas sejam desembrulhadas com cuidado, de modo a que papéis e caixas de embrulho possam voltar a ser usados noutras ocasiões.

FICHA TÉCNICA

Objectivo: Natal e Ano Novo

Universo: Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais de Portugal com telefone fixo no lar ou possuidores de telemóvel

Amostra: Aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto  legislativo) e representativa do universo. Foi extraída de um subuniverso obtido de forma idêntica. A amostra contou com 600 entrevistas efectivas: 276 a homens e 324 a mulheres, 149 no Interior, 231 no Litoral Norte e 220 no Litoral Centro Sul, 165 em aldeias, 207 em vilas e 228 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral

Técnica: Entrevista telefónica por CATI (Computer Assisted Telephonic Interview)

Trabalho de campo: Decorreu entre os dias 5 e 8 de Dezembro de 2011, com uma taxa de resposta de 74,7%

Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 600 entrevistas, o desvio-padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma margem de erro - a 95% - de 4,00%)

Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz

CRISE SONDAGEM NATAL ANO NOVO
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