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Correio da Manhã

Economia
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Menos empregos no Governo Sócrates

Desde a subida de Sócrates ao poder, a economia portuguesa perdeu, em termos líquidos, 19 274 empregos. Estes resultados constam de um artigo publicado no Boletim Económico do Banco de Portugal, ontem divulgado.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
Da autoria de dois investigadores do Gabinete de Estudos do banco liderado por Vítor Constâncio e de um responsável do Gabinete de Planeamento do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, e tendo por base de trabalho o universo da Base de Dados do Registo de Remunerações da Segurança Social (BDRSS), o estudo intitulado “A criação e destruição de emprego em Portugal” mostra que, no período compreendido entre Março de 2001 e Março de 2007 as empresas criaram 3 704 081 novos empregos, destruindo, no mesmo período, 3 660 003 novos postos de trabalho.
Se analisarmos apenas o período da governação socialista verificamos que foram criados, desde Junho de 2005, 72 056 empregos e destruídos 91 330 postos de trabalho. Uma das primeiras promessas de Sócrates foi a criação de 150 mil novos empregos até ao final da legislatura.
De acordo com os números ontem divulgados, o último trimestre de 2006, com um saldo negativo de 27 696 empregos destruídos, foi o pior dos últimos seis anos.
Segundo o estudo, “em cada trimestre, 24 por cento das empresas são criadoras líquidas de emprego e 26 por cento reduzem o seu nível de emprego”.
Para Nuno Ribeiro Mendes, ex-secretário de Estado da Segurança Social no Governo de António Guterres, “estamos a sofrer uma reestruturação da economia. Continuamos a reduzir empregos que não têm justificação económica. A criação de novos postos de trabalho em sectores mais dinâmicos é reduzida e não compensa a perda nos sectores tradicionais da indústria. Por outro lado, uma parte do emprego criado é precário e é provável que desapareça. Estamos perante uma fase de transição”.
No período em análise (2001 a 2007), o saldo entre a criação de emprego e a destruição de emprego coloca Guterres em primeiro lugar (com um saldo positivo de 122 708 postos de trabalho), seguido de Barroso (31 803), de José Sócrates (com um saldo negativo de 19 274) e Santana Lopes, que apenas governou dois trimestres e registou um saldo negativo de 41 818 empregos.
O Boletim Económico refere que a evolução da economia em 2008 será marcada “por factores de profunda incerteza”, em particular, os relacionados com os efeitos da crise no mercado hipotecário de alto risco norte-americano, que terão efeitos “ainda imprevisíveis” para a economia portuguesa.
ECONOMIA CRESCE 2%
O Banco liderado por Vítor Constâncio reviu, ontem, em baixa, o crescimento da economia portuguesa para 2008, de 2,2 para dois por cento. De acordo com os dados divulgados hoje no Boletim de Inverno, o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá crescer 2,3% em 2009, contra a anterior previsão de 2,2%. A riqueza nacional deverá aumentar 2% em 2008. A anterior previsão do Banco de Portugal apontava para 2,2%.
POUPANÇA DAS FAMÍLIAS VAI AUMENTAR
Nem tudo é negativo no relatório do Banco de Portugal. A instituição liderada por Vítor Constâncio estima que a taxa de poupança das famílias portuguesas deverá ter aumentado em 2007, para voltar a subir este ano e em 2009.
Trata-se de uma inversão da tendência de diminuição da capacidade de aforro das famílias que, em 2006, atingiu os valores mais baixos dos últimos 40 anos, ao fixar-se numa taxa de poupança de 8,3 por cento.
O Banco de Portugal estima que em 2007 a taxa de poupança dos portugueses já tenha recuperado, continuando a aumentar em 2008.
“A moderação das despesas de consumo das famílias nos últimos dois anos deverá estar associada ao efeito da subida gradual das taxas de juro e ao consequente aumento dos encargos da dívida, num contexto de endividamento relativamente elevado das famílias, assim como ao agravamento da carga fiscal, nomeadamente, ao nível dos impostos indirectos”, refere o relatório.
SAIBA MAIS
- 2,4% é a taxa de inflação prevista para este ano, muito influenciada pelo crescimento das componentes energéticas, em especial, o petróleo.
- 89 dólares por barril é o preço aceite pelo Banco de Portugal para o petróleo em 2008, depois de, em termos médios, ter estado nos 72 dólares em 2007. Para 2009, as previsões são de 86 dólares.
CONSUMO
Este ano o consumo privado deverá descer para 1,1 por cento. A recuperação só se iniciará em 2009 depois da diminuição da taxa de desemprego.
JUROS
Segundo o Banco de Portugal as taxas de juro de longo prazo deverão ficar nos 4,4 por cento até 2009.
MANUEL PINHO
O ministro da Economia afirmou ontem que o “crescimento de 2007 é o mais elevado desde 2001 e só em 2007 a economia portuguesa cresceu mais do que na legislatura anterior”.
EVOLUÇÃO DA CRIAÇÃO DE EMPREGO (MARÇO DE 2001 A MARÇO DE 2007)
GOVERNO DE ANTÓNIO GUTERRES: 122708
2001
Março: 49341
Junho: 64194
Setembro: 4651
Dezembro: - 8608
2002
Março: 13130
GOVERNO DE DURÃO BARROSO: 31803
2002
Junho: 47942
Setembro: -19293
Dezembro: -16623
2003
Março: -15994
Junho: 12106
Setembro: -15278
Dezembro: -14303
2004
Março: 14037
Junho: 39209
GOVERNO DE SANTANA LOPES: -41818
2004
Setembro: -25820
Dezembro: -10080
2005
Março: -5818
GOVERNO DE JOSÉ SÓCRATES: -19274
2005
Junho: 33145
Setembro: -18198
Dezembro: -13813
2006
Março: 4808
Junho: 34103
Setembro: -23949
Dezembro: -27696
2007
Março: -7674
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