Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
2

MICROSOFT PAGA 536 MILHÕES À NOVELL

O gigante mundial de software Microsoft Corp. voltou a abrir os cordões à bolsa por causa de processos judiciais em que está acusado de práticas monopolistas. A empresa de Bill Gates pagou 536 milhões de dólares à rival Novell Inc. e uma quantia não revelada a um grupo comercial que apoiava os processos levantados pelo governo norte-americano e pela Comissão Europeia. O anúncio foi feito no dia em que chegou ao mercado um 'browser' capaz de ameaçar o domínio do Internet Explorer.
9 de Novembro de 2004 às 14:25
A Novell aceitou os 536 milhões de dólares para retirar o seu apoio ao processo da Comissão Europeia contra a Microsoft, no âmbito do qual a empresa já foi multada em 600 milhões de dólares e aguarda pelo veredicto do recurso, esperado ainda para este mês. A Associação Industrial de Computadores e Comunicações, com sede em Washington, também recebeu uma 'indemnização' da Microsft e retirou-se do processo europeu contra a empresa de Bill Gates.
Apesar de aceitar ceder no 'campo' europeu, a Novell pretende formalizar ainda esta semana uma queixa formal contra a Microsoft na Justiça norte-americana. O motivo da queixa é uma 'guerra' de uma década por causa do WordPerfect, um processador de texto desenvolvido pela Novell para o contexto empresarial. A Novell acusa a Microsoft de impossibilitar a comercialização do WordPerfect ao 'inundar' o mercado com o seu Office através de parcerias com construtores de hardware e produtores de software compatível.
A Microsoft já gastou 2,4 mil milhões de dólares na resolução de queixas por práticas de monopólio. Mas alguns milhares de milhões de dólares poucos danos causam a um gigante empresarial que controla cerca de 64,4 mil milhões de dólares em reservas de dinheiro disponível.
FIREFOX AMEAÇA EXPLORER
Terá começado hoje uma guerra comercial entre dois 'browsers' (programas para navegação na Internet)? Está a partir de hoje disponível para descarregamento na Net o 'browser' Firefox 1.0, da Fundação Mozilla, fundada em 1998 pelos gestores do praticamente desaparecido Netscape.
As primeiras versões do Firefox surgiram em Fevereiro deste ano e foram desde aí aperfeiçoadas com as colaborações de inúmeros anónimos, uma vez que a fonte do programa é aberta - à semlehança do Linux - permitindo a qualquer entendido aperfeiçoá-lo. A versão a partir de hoje disponibilizada é uma síntese de todos esses contributos, suficientemente boa para cristalizar a primeira geração de um 'browser' que parece ser capaz de combater o domínio comercial do Internet Explorer da Microsoft.
Essa possibilidade deriva do entusiasmo que o Firefox está a gerar no mercado. Em Junho deste ano, duas organizações norte-americanas dedicadas à segurança informática alertaram para importantes falhas no Internet Explorer. Em Julho, a auditora WebSideStory apresentou os primeiros resultados sobre um estudo do mercado de 'browsers'. O estudo conclui que o aumento dos utilizadores de Firefox (ainda nas suas versões experimentais, se assim se pode dizer) contribuiu para uma diminuição da fatia de mercado ocupada pelo Internet Explorer.
Antes de Julho, o 'browser' da Microsft era usado por 95% dos internautas (número que se manteve fixo nos últimos anos), mas em Julho a percentagem de utilizadores baixou para 94,7% e no final de Outubro estava nos 92,9%. Falhado o entusiasmo gerado pelo 'browser' Opera, a Microsoft não pode ignorar o Firefox, numa altura em que também o Linux está a combater o domínio do Windows no mercado dos sistemas operativos.
Se as falhas de segurança assinaladas no Internet Explorer apontam culpas para a própria Microsoft, facto é que as características do Firefox em muito estão a contribuir para a popularidade deste 'browser'. O Firefox é mais seguro e apresenta algumas inovações. Permite uma melhor gestão de trânsito do utilizador entre páginas web, bloqueia os 'pop-ups', tem um sistema fácil de detecção de texto em páginas escolhidas e permite efectuar buscas nos ´sites' a que acedemos, independentemente de estes terem ou não motores de busca próprios.
O entusiasmo gerado pelo Firefox permitiu mesmo à Fundação Mozzila gerir com êxito uma campanha de angariação de fundos para publicidade do 'browser'. A fundação quis angariar 50 mil dólares para um anúncio de página inteira no ecrã electrónico gigante em Times Square, Nova Iorque. O objectivo era conseguir 10 mil doadores, mas a campanha juntou 25 mil interessados e angariou 250 mil dólares. O anúncio vai 'correr' durante 3 semanas, em Novembro e Dezembro.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)