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Correio da Manhã

Economia
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Ministro diz não haver “risco sério” de bancarrota

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse esta quinta-feira que a situação do País é preocupante, mas entende que o cenário de bancarrota está afastado.
31 de Março de 2011 às 21:32
Para Teixeira dos Santos, na actual conjuntura política, “a única entidade que pode assumir compromissos é o Presidente da República”
Para Teixeira dos Santos, na actual conjuntura política, “a única entidade que pode assumir compromissos é o Presidente da República” FOTO: Jorge Paula

“Não me parece que haja um risco sério [de bancarrota]", sublinhou em entrevista à TVI, conduzida já por Judite de Sousa na sede do ministério das Finanças em Lisboa. Sobre o tema referiu ainda: “Uma bancarrota seria péssimo para o País e para a própria Zona Euro. Teremos de usar todos os mecanismos para assegurar financiamento.”

Quanto aos pedidos de ajuda externa, Teixeira dos Santos reiterou que, após o chumbo do quarto Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), o Governo deixou de ter legitimidade, condições e credibilidade necessária para o fazer.

“Ao ver rejeitado o programa, é um Governo desautorizado, que não tem força. O Governo não pode comprometer o País”, disse.

No seu entender, na actual conjuntura política, “a única entidade que pode assumir compromissos é o Presidente da República”.

Mais: Teixeira dos Santos voltou a lembrar que o chumbo do PEC teve “consequências graves”, como chegou a alertar a Oposição.

“Estamos muito pior do que estávamos há uma semana atrás. As dificuldades são maiores, tudo é mais difícil. Tive o cuidado de alertar para as consequências muito negativas para o País. Alertei porque achava ser um dever”, sublinhou.

“Esta é uma crise desnecessária”, acrescentou o ministro, considerando que “o interesse nacional, neste momento, tem de ser assumido por todos”.

FINANCIAMENTO: “TEREMOS DE SER MAIS CRIATIVOS”

Questionado sobre se há dinheiro para pagar os salários dos funcionários públicos nos próximos meses, Teixeira dos Santos disse que sim. Mas desabafou, atendendo à deterioração das condições de mercado: “Vamos continuar o esforço [de financiamento]. Teremos de ser mais criativos.”

Na mesma entrevista, o ministro reconheceu que é o rosto dos sacrifícios que foram pedidos aos portugueses, mas sente-se de consciência tranquila: “Ninguém, como eu, teve consciência das grandes dificuldades que o País teve de ultrapassar. Fiz sempre o meu melhor. Não me preocupei muito com o fenómeno de popularidade e de simpatia junto dos portugueses.”

O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou a revisão em alta do défice para 2010 de 6,8 por cento para 8,6 por cento.

Esta alteração deveu-se à incorporação nas  contas nacionais das imparidades com o Banco Português de Negócios (BPN), que acrescentam um ponto percentual ao défice de 2010, 0,5 pontos percentuais provenientes das empresas de transporte e 0,3 pontos percentuais relativas ao Banco Privado Português (BPP).   

Sobre esta revisão, Teixeira dos Santos negou que o seu modelo de actuação nas contas públicas tenha fracassado e sublinhou que “o INE, em diálogo com o Eurostat, entendeu fazer alterações metodológicas”.

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