O apelo para poupar chegou no dia em que todos os preços subiram por efeito do aumento das taxas de IVA. Mesmo assim, o ministro das Finanças não deixou de lançar o desafio a todas as famílias portuguesas: "Os problemas do País resolvem-se com um esforço adicional de poupança. É o que o Estado está a fazer e é o que apelo a todos os cidadãos a fazerem."
Teixeira dos Santos falava durante a cerimónia de lançamento dos Certificados do Tesouro, um instrumento de poupança, com que o Estado procura cativar o aforro dos particulares, oferecendo uma rentabilidade de 5,50% a quem estiver disposto a ter o dinheiro parado por cinco anos.
António Ribeiro, responsável da Deco considera que aquele instrumento de poupança 'só é rentável a partir dos cinco anos de investimento'. Segundo aquele responsável, 'até aos quatro anos, os Certificados de Aforro são ligeiramente melhores' (ver quadro).
Para o director de investimentos do Banco Carregosa, a oferta do Estado 'é interessante', mas 'qualquer depósito a prazo a um ano consegue remunerar o dobro (entre 2,5% e 3%). Segundo João Pereira Leite, 'estamos em presença de um instrumento para quem não quer mexer no dinheiro durante cinco anos. Se ao fim do primeiro ano se mexer nas poupanças a rentabilidade não vai além dos 1,25%'.
Os novos produtos de poupança podem ser subscritos aos balcões dos Correios ou através do endereço de internet: AforroNet (https://aforronet.igcp.pt). As transacções são gratuitas.
IVA AUMENTA O CUSTO DE VIDA
As taxas de IVA subiram ontem para a maioria dos produtos e serviços, numa altura em que grande parte dos comerciantes já optaram por entrar em 'promoções', um período que antecede os saldos de Verão que começam no próximo dia 15 de Julho. Muitos hipermercados e restaurantes optaram por absorver o aumento do imposto, não repercutindo no preço final.
PORMENORES
DÍVIDAS
A ministra do Trabalho, Helena André, disse que a cobrança de dívidas à Segurança Social aumentou 16,7% entre Janeiro e Maio.
AUTOMÓVEIS
A subida do IVA fez antecipar as compras de automóveis para Junho. Naquele mês, as vendas de veículos ligeiros subiram e 62,5% face a 2009.
DEPÓSITOS
Com a subida da taxa liberatória para 21 ou 21,5% (para depósitos até 18 mil euros e superiores), as poupanças nos bancos vão render menos.
FIM DOS APOIOS SOCIAIS
Os apoios sociais e as ajudas ao emprego que o Governo lançou como medidas extraordinárias de combate à crise terminaram ontem. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o fim das medidas da Iniciativa Emprego 2010 gerará uma poupança de 151 milhões de euros.
No âmbito da concretização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), o Governo pôs fim à prorrogação do subsídio social de desemprego por seis meses, à redução do prazo de garantia para atribuição de subsídio de desemprego, ao reforço de 10% desta prestação social para quem tem dependentes a cargo e ao abono de família para os desempregados, por conta de despesa de educação.
O programa Qualificação e Emprego e a redução de três pontos percentuais na Taxa Social Única a cargo de micro e pequenas empresas para trabalhadores com 45 anos, foram também abolidas. Assim como o programa especial de qualificação de licenciados em áreas de reduzida empregabilidade e o reforço da linha de crédito bonificada para a criação de empresas.
Por outro lado, já em Agosto, entram em vigor as novas regras de atribuição do subsídio de desemprego, que reduzem o valor destas prestações sociais e obrigam os beneficiários a aceitar ofertas de emprego mais baixas.
O padre Lino Maia, da Confederação Nacional das Instituições Particulares de Solidariedade Social (CNIS), contestou o fim da iniciativa. 'Era preciso evitar sinais de conflito e não é certamente com cortes sociais', disse à Rádio Renascença.
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