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Correio da Manhã

Economia
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Montepio fechou 34 balcões desde Janeiro mas manteve colaboradores

O Montepio encerrou 34 agências desde o início do ano mas não procedeu a despedimentos, revelou esta quarta-feira o presidente do banco mutualista, justificando a manutenção do pessoal com o 'ADN' de entidade
7 de Março de 2012 às 16:00
António Tomás Correia, presidente do Montepio
António Tomás Correia, presidente do Montepio FOTO: Agência Lusa

"Encerrámos 34 balcões já este ano, mas sem despedir ninguém", afirmou António Tomás Correia durante a apresentação das contas de 2011, explicando que "se o banco tivesse essa atitude [de despedir pessoal] não estaria a cumprir o seu 'ADN'", numa alusão ao terceiro sector, da economia social.

A integração do Finibanco, depois da operação pública de aquisição (OPA) lançada no Verão de 2010, levou à sobreposição de agências nalgumas localidades, o que terá pesado na decisão de encerrar alguns balcões. Quanto aos trabalhadores das agências encerradas, os mesmos foram distribuídos pela rede do Montepio.

Quanto a reformas antecipadas, Tomás Correia disse que a política do Montepio é de não autorizá-las, mas houve "cento e picos pessoas" que entraram para a reforma antecipada.

"A reforma faz muito mal às pessoas, que na sua maioria não se preparam para gozar a reforma", considerou, salientando que "o que está a acontecer aos pensionistas em Portugal é dramático", em referência aos cortes das pensões decididos pelo Governo.

Segundo Tomás Correia, após a integração do Finibanco, o objectivo do Montepio é continuar a crescer. "Vamos continuar a desenvolver esta casa, que cresceu imenso nos últimos 20 anos", salientou. E garantiu que o Montepio "vai continuar a criar muitos postos de trabalho" nos próximos anos. "Não damos emprego às pessoas. Sou um inimigo do emprego. Aqui lutamos por ter muito trabalho", referiu.

De acordo com o banqueiro, "um dos problemas que tem havido é o de meter as pessoas do Finibanco a trabalhar", na mesma linha do Montepio. Questionado sobre se está pacificada a situação dos trabalhadores do Finibanco que foram deslocados devido à integração no Montepio, Tomás Correia garantiu que "a integração foi muito tranquila".

E reforçou: "Quem visse a comunicação social a falar do tema, parece que temos um bicho de sete cabeças, mas não temos. Das 450 pessoas que transitaram do Finibanco, houve umas 20 que refilaram muito, mas tivemos sempre a preocupação de ouvi-los".

O responsável garantiu, sobre os constrangimentos de natureza geográfica (devido à transferência de funcionários dos serviços centrais do Finibanco no Porto para Lisboa), que "houve o cuidado de reunir individualmente com cada um dos visados e ver qual era a sua apetência para a mudança e quais os seus constrangimentos".

Por isso, segundo o gestor, "não há nenhum caso socialmente crítico que fosse deslocado da sua zona de residência", ainda que admita que "ainda há umas pontas soltas por resolver, mas a agitação já acabou".

O responsável rematou dizendo que "o Montepio encontrou a fórmula para atender às necessidades individuais de cada trabalhador", esclarecendo que em muitos casos foram atribuídos subsídios para os funcionários deslocados.

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