Descida da dívida e banca abre a porta a uma melhoria do "rating" na próxima reavaliação.
A Moody's manteve esta sexta-feira o rating de Portugal em Baa3, apenas um nível acima do "lixo", mas subiu o outlook (perspectiva) de "estável" para "positivo", abrindo a porta a uma melhoria do rating na próxima reavaliação. Este era o desfecho apontado como mais provável pelos analistas ouvidos pelo Negócios.
A Moody's, que foi a primeira agência de notação a colocar Portugal no nível de investimento especulativo, a 5 de julho de 2011, demorou mais de sete anos a retirar a dívida soberana de longo prazo de Portugal do "lixo", fazendo-o apenas a 12 de outubro do ano passado.Numa nota publicada no seu site, a Moody's explica que este "upgrade" é motivado por dois fatores principais. Por um lado a descida do endividamento público a "um ritmo superior ao estimado", estimando-se a que trajetória prossiga nos próximos três a quatro anos. A agência estima agora que Portugal vai alcançar um rácio da dívida pública abaixo de 110% do PIB em 2022 (em 2018 situou-se nos 123,6% do PIB, tendo já em conta a revisão estatística).
O segundo fator está relacionado com as "melhorias sustentáveis" na saúde do setor financeiro. "Embora algumas instituições continuem a ter impacto nas finanças públicas, o sistema como um todo está a ficar mais robusto", assinala a Moody's, destacando a "maior capacidade dos bancos portugueses em absorver perdas" e a descida do crédito malparado.
Governo destaca apreciação positiva
O Ministério das Finanças, em comunicado, destacou que a Moody's "salienta a continuação do processo de consolidação orçamental, com reflexo na diminuição do rácio da dívida pública face ao PIB, a um ritmo superior ao estimado pela agência há um ano".
O ministério liderado por Mário Centeno sublinha ainda que a agência "destaca o reforço da solidez económica e financeira dos bancos".
A tutela assinala que "Portugal vive o período mais longo de crescimento económico desde a sua adesão ao euro, com um crescimento médio de 1,9% ao longo dos últimos 22 trimestres" e enfatiza que "a dívida pública portuguesa beneficia hoje da classificação de investimento pelas quatro principais agências de rating internacionais. A taxa de juro das obrigações da República Portuguesa a 10 anos está abaixo de 0.3%, um valor sem paralelo histórico e o diferencial face a Espanha tem vindo a reduzir-se ao longo de 2019, estando hoje as taxas de juro da dívida pública portuguesa praticamente em linha com as taxas de juro da dívida espanhola".
Analistas admitiam que cautela da Moody's podia impedir subida do rating
João Pisco, analista do Bankinter, avançava até um possível argumento que a agência poderia invocar. "O facto de Portugal ter eleições legislativas agendadas para outubro poderá servir de ‘desculpa’" para a Moody’s apenas subir a perspetiva.
O analista-chefe do departamento de mercados do Danske Bank, Jens Peter Sørensen, mostrava-se otimista quanto a um "upgrade" da classificação da dívida soberana portuguesa, mas admitia que a postura "cautelosa" normalmente adotada pela Moody's poderia traduzir-se numa melhoria apenas ao nível da perspetiva.
As esperanças numa subida do rating já em agosto ganharam força com a melhoria do rating dos depósitos da Caixa Geral de Depósitos, BCP, Santander Totta e Novo Banco avançada pela Moody's a 24 de julho. Então, a agência indicou ter melhorado o perfil macro de Portugal de "Moderado" para "Moderado +".
Atualmente, a Moody's é a agência que pior classifica Portugal, apenas um patamar acima do "lixo". A Fitch, Standard & Poor's e DBRS colocam a dívida soberana portuguesa de longo prazo dois degraus acima do nível especulativo.
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