Moody’s tira Portugal do lixo mais de sete anos depois

Sete anos e três meses depois da dívida soberana portuguesa estar no patamar de investimento especulativo.
12.10.18
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Depois de, a 5 de julho de 2011, a Moody’s ter classificado de lixo a dívida soberana de longo prazo de Portugal, ao colocá-la num grau de investimento especulativo (o chamado lixo), esta sexta-feira, 12 de outubro, recolocou-a num patamar de investimento de qualidade com outlook estável. 

Moody’s tira Portugal do lixo mais de sete anos depois

A Moody’s foi assim a primeira a colocar Portugal no lixo e a última a retirá-lo desse nível, ao elevar a classificação da dívida soberana de ‘Ba1’, que era o primeiro nível de "junk", para 'Baa3', o primeiro nível do grau de investimento de qualidade. 

No caso de Portugal, a agência de rating - conhecida por ser mais conservadora - quis ver para crer. Expectante sobre o último Orçamento da legislatura, a agência de rating recebeu garantias de que a trajetória iria continuar e, por isso, decidiu melhorar a notação financeira da República portuguesa, um ano depois de ter melhorado o outlook para positivo e ter deixado em aberto uma revisão do rating num período de 12 a 18 meses.

Os dois principais motivos para a decisão estão relacionados com a dívida pública e a resiliência da economia. "A dívida pública elevada caminha para uma sustentável (embora gradual) tendência de descida, com riscos limitados de reversão", considera a Moody's no comunicado divulgado esta noite, assinalando que a posição externa de Portugal melhorou e isso deixou a economia mais "resiliente". A previsão é de que a dívida pública desça para os 116% até 2021.

A agência elogia o esforço do consolidação estrutural do défice de 1,3 pontos percentuais, acima da expectativa da Comissão Europeia, o investimento em máquinas e aparelhos e a melhoria das contas externas, com as exportações a ganharem peso na economia. Fora do comunicado ficam referências passadas à necessidade de mudar a lei laboral ou ao perigo de aumentar o salário mínimo. 

Quanto à banca, os progressos na reestruturação de alguns dos bancos mais frágeis, na visão da Moody's, reduziram materialmente os riscos orçamentais colocados pelo sector bancário. E nem o uso do mecanismo de capital contigente no Novo Banco deverá "alterar materialmente a trajectória da dívida".

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