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Correio da Manhã

Economia
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MÚTUAS DE PESCADORES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO

A reforma da Política Comum de Pescas (PEC) proposta pela Comissão Europeia, para além de ameçar a sobrevivência das pescas em Portugal, poderá inviabilizar as duas mútuas de seguros que operam exclusivamente neste sector.
2 de Julho de 2002 às 20:56
Os responsáveis da Mútua dos Pescadores e da Mútua do Arrasto, as duas seguradoras criadas hà mais de 60 anos por Henrique Tenreiro, admitem que a aprovação da proposta da Comissão “ameaça, a curto prazo, a viabilidade do sector (das pescas) e das empresas que a ele estão ligadas”, nas palavras de José António Amador, da Mútua dos Pescadores.

No centro destes receios está a inevitável redução da frota e do número de pescadores que resultarão da aprovação da proposta de Bruxelas e que poderão mesmo implicar a extinção do sector em Portugal, como o próprio ministro da Agricultura, Armando Sevinate Pinto, já alertou. Como diz António Feu, responsável da Mútua do Arrasto “sendo o nosso segmento de mercado exclusivamente condicionado ao número de navios e às tripulações, a nossa carteira de clientes diminui com a redução do número de barcos e de pescadores, com consequências no valor anual dos prémios”.

Os dados da Direcção Geral das Pescas e Aquicultura indicam que a frota nacional diminuiu de 15860 barcos, em 1990, para 10500, em 2001, e que o universo de pescadores decresceu de 40610, em 1990, para 25 mil, em 2001. “Baixando o número de pescadores e o número de barcos, isso tem repercussões graves no sector segurador”, frisa José António Amador.

Para este responsável, “o futuro é um cenário negro, se se vier a concretizar a reforma das pescas”. António Feu também considera que a aprovação da reforma “pode causar a redução significativa da carteira de clientes, o que não quer dizer que ponha em causa a sobrevivência da Mútua do Arrasto”. Mas, frisa, “a nossa facturação será afectada”.

Por isso, segundo José António Amador, “Portugal tem que ter uma posição firme”, porque a aprovação da proposta, tal como está, será “uma desgraça para as pescas, as indústrias de conserva, a construção naval, os seguros, os restaurantes”. Para se ter uma ideia precisa do que está em causa, mais de 27 mil dos cerca de 34 mil pescadores e armadores existentes em Portugal estão segurados naquelas duas mútuas.
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