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Correio da Manhã

Economia
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NÃO SOMOS PARVOS

A circulação rodoviária no IP5, entre Mangualde e Viseu, esteve bloqueada ontem durante quatro horas por centenas de veículos, na maioria pesados de mercadorias, cujos condutores promoveram uma marcha lenta contra o pagamento de portagens na via, quando for transformada na A25.
23 de Outubro de 2004 às 00:00
Sempre vigiados por várias patrulhas da Brigada de Trânsito da GNR de Viseu, a caravana, composta sobretudo por pessoas ligadas a empresas transportadoras, demorou quatro horas para fazer o trajecto de 40 quilómetros, a uma média de 10 kms/hora.
Esta situação provocou o caos no itinerário, até porque no troço decorrem obras de duplicação da via. Entre as 10 e 14 horas, chegaram a formar-se filas de 15 quilómetros, sendo que muitos automobilistas entraram na marcha lenta sem querer.
“Estamos em plena luta, o Governo tem que ver que nós não nos damos por vencidos, nem os beirões são parvos; porque o ministro António Mexia pensa abrir uma excepção para o Algarve e aqui não, quando os argumentos são os mesmos. As portagens na A25 não fazem sentido, porque não há uma estrada alternativa”, afirmou Francisco Almeida, porta-voz da Comissão de Utentes Contra as Portagens no IP5. “Nós não vamos desistir, porque está em causa o desenvolvimento económico e social de uma região já muito prejudicada pelo esquecimento do poder central”, acrescentou.
As empresas transportadoras da região consideram a introdução de portagens no IP5 como preocupante, porque, aliada ao constante aumento dos combustíveis poderá provocar o “encerramento de muitas empresas”. “Estou aqui sobretudo em defesa do meu posto de trabalho, porque as portagens nesta via vão prejudicar a minha empresa”, referiu Luís Antunes, um dos camionistas envolvidos na manifestação.
Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias, nos distritos atravessados pelo IP5 (Aveiro, Viseu e Guarda), existem 537 empresas de transportes terrestres. Nos últimos tempos, algumas reduziram bastante o seu efectivo de viaturas e de camionistas.
BEIRAS UNIDAS RECEIAM MAIS DESEMPREGO
A luta contra a introdução de portagens nas vias que estavam previstas serem sem custo para os Utilizadores (Scut), A23, A24 e A25, está a unir todos os agentes económicos, sociais e também políticos da região da Beira Interior. Pela primeira vez em muitos anos, os patrões, empregados e sindicalistas estão juntos em luta pela mesma causa, o mesmo sucedendo com as personalidades e os autarcas dos vários quadrantes políticos.
Os empresários de vários sectores económicos estão de acordo que a introdução de portagens naquelas vias “vai ser um revés para a economia da região”, ao ponto de pôr em perigo milhares de postos de trabalho. “O Governo terá que ter em conta que este imposto vai ser fatal para a saúde de muitas pequenas e médias empresas, porque, entre outras coisas, vai causar o aumento dos custos de produção”, disse ao CM um empresário ligado aos lanifícios, salientando que as portagens vão também provocar “a deslocalização de empresas e contribuir para o aumento do desemprego”.
MAIS PROTESTOS E ABAIXO-ASSINADO
AVEIRO
Depois desta marcha lenta e dos buzinões em Viseu e Guarda, a próxima acção de protesto da Comissão de Utentes do IP5 realiza-se em Aveiro na sexta-feira. Será um novo buzinão.
19 MIL
O abaixo-assinado contra as portagens no IP5 já foi subscrito por 19 mil cidadãos, 20 câmaras municipais, 99 juntas de freguesia e 311 organizações económicas e sociais.
PREÇOS
Tendo em conta os preços das portagens praticados noutras auto-estradas, quem viajar entre Vilar Formoso e Aveiro terá de pagar de 10 a 27,72 euros, conforme o tipo de veículo.
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