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Correio da Manhã

Economia
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NATAL VAI SER MAU PARA O COMÉRCIO

A quebra crescente do consumo em Portugal deverá traduzir-se numa forte redução das vendas do comércio a retalho na época natalícia deste ano.
24 de Novembro de 2002 às 00:00
A menos de duas semanas do início das compras para o Natal, um período que tem um grande peso económico nas vendas totais do sector, os comerciantes receiam que os resultados deste ano fiquem muito aquém do esperado.

Com os consumidores a manifestarem cada vez mais receio sobre o comportamento futuro da economia, o próprio presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) assume que “as expectativas não são, de maneira nenhuma, optimistas”.
Vasco da Gama reconhece que, devido ao abrandamento progressivo da economia, “vivemos um período de retracção no consumo”. E, assim sendo, “não há razão nenhuma que nos leve a pensar que este Natal vai ser vivido num clima de euforia, com as pessoas a gastarem muito dinheiro”.

Para o presidente da CCP, “o excesso do endividamento e as dúvidas em relação ao futuro imediato” são as grandes causas da diminuição do consumo em Portugal. Gastando menos dinheiro em bens secundários, como brinquedos ou perfumes, os portugueses acabam também por afectar os resultados económicos das empresas.

Nos últimos seis anos, as empresas aumentaram o seu volume de vendas graças ao consumo interno, que foi claramente o motor da economia portuguesa. Só que, agora, com o progressivo arrefecimento da economia portuguesa, as famílias aumentaram a sua poupança, comprando menos produtos.

Roupas, produtos alimentares, brinquedos e perfumes serão os sub-sectores mais afectados pela diminuição do consumo privado no Natal.

DEZEMBRO DÁ BOAS VENDAS

Cerca de um quarto das vendas do comércio a retalho são realizadas no mês de Dezembro. Com um volume de negócios médio anual da ordem dos 55 mil milhões de euros, este sector factura no Natal quase 25 por cento da sua facturação total. Daí a inevitável preocupação dos comerciantes sempre que a economia abranda, dado que isso implica a redução da procura interna dos consumidores. Desde que a economia portuguesa começou a dar sinais de abrandamento, as vendas do comércio ressentiram-se de imediato.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), entre Julho de 2001 e Julho de 2002, a variação anual do volume de negócios decresceu de 4,5 por cento para 0,7 por cento. As previsões do Banco de Portugal apontam, por sua vez, para 2002 uma redução da procura interna entre os nitidamente negativos 3,4 por cento e os 1,4 por cento positivos, quando em 2001 a procura interna ascendeu a 1,1 por cento. Para 2003, as expectativas dos responsáveis da CCP são ainda mais graves devido “ao agravamento fiscal sobre as empresas”, nas palavras de Vasco da Gama. E, se a economia não recuperar, poderá ser ainda pior.
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