Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
4

Nomeação de Centeno a governador alvo de ação na Justiça

Ex-governante não vê conflito de interesses na ida para o regulador e diz que, pelo PSD, “não encontrava emprego em Portugal”.
Diana Ramos 9 de Julho de 2020 às 01:30
Mário Centeno
Mário Centeno
Carlos Costa
Mário Centeno
Mário Centeno
Carlos Costa
Mário Centeno
Mário Centeno
Carlos Costa
O ex-ministro das Finanças Mário Centeno puxou esta quarta-feira dos galões da experiência profissional e do currículo académico para justificar ser um dos melhores candidatos ao cargo de governador, apesar da contestação da maioria dos partidos à nomeação. Aliás, esta quarta-feira, o Iniciativa Liberal, de João Cotrim Figueiredo, anunciou que avançará com uma providência cautelar para travar a ida de Centeno para o Banco de Portugal.


"Sou qualificado e estou motivado para assumir estas funções", garantiu o ex-governante na audição parlamentar obrigatória aos candidatos a cargos de regulação. Centeno rejeitou a ideia de ter de pedir escusa em decisões que envolvam o Novo Banco ou o Banif porque, no seu entender, "não foi o Governo que vendeu o Novo Banco nem resolveu o Banif". O ainda líder do Eurogrupo desvalorizou também a pressão política, lembrando que estão no supervisor pessoas que já foram governantes do PSD e "isso não destruiu o Banco de Portugal".

Cotrim Figueiredo insinuou na audição que o PS é "dono disto tudo" por querer nomear Centeno à revelia do processo legislativo em curso. Do lado do PSD, Duarte Pacheco frisou que o partido é contra a escolha do ex-ministro, alegando conflito de interesses.

"Se eu usasse o seu raciocínio não conseguia encontrar emprego em Portugal nas próximas décadas", ironizou Centeno. Quanto ao PAN, que tentou aprovar um período de nojo de cinco anos antes da nomeação de Centeno, mostrou receios de que possamos ter "um governador de mãos amarradas", disse André Silva.

Durante a audição – que é obrigatória para assumir o cargo mas cujo parecer dos deputados não é vinculativo – Centeno ainda deixou farpas ao antecessor, lembrando que "o Banco de Portugal não pode viver numa torre de marfim", mas ser uma instituição "que responde ao Parlamento português".

Carlos Costa deixa Banco de Portugal com alertas para a pandemia
O governador do Banco de Portugal, que ontem completou os dez anos de mandato e cessa funções, apelou a uma atuação coletiva dos países europeus na resposta à crise gerada pela atual pandemia.

"Perante um choque exógeno comum a todas as economias, as autoridades inicialmente responderam descoordenadamente", criticou Carlos Costa num artigo de opinião publicado pela Reuters.
Centeno Justiça Banif João Cotrim Figueiredo Iniciativa Liberal Banco de Portugal Novo Banco PSD Portugal
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)