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Correio da Manhã

Economia
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Novo Banco recebeu injeção de 317 milhões de euros

Fundo de Resolução retém fatia de 112 milhões até esclarecer operação realizada pelo banco.
João Maltez 5 de Junho de 2021 às 09:19
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Novo Banco recebeu injeção de 317 milhões de euros
O Fundo de Resolução pagou esta sexta-feira 317 milhões de euros ao Novo Banco, menos 112 milhões face ao valor que está autorizado a injetar. A verba restante só será transferida após esclarecidas as dúvidas sobre a compra de dívida pública em moeda estrangeira, pelo banco, que acabou por afetar os seus rácios de capital.

O Novo Banco tinha anunciado que ia pedir 598,3 milhões de euros, para fazer face aos resultados negativos de 2020, mas só foi autorizada a transferência de 429 milhões. A redução ficou a dever-se, explicou o Fundo de Resolução, a que preside Luís Máximo dos Santos, ao abatimento dos prémios de desempenho da administração, à avaliação em baixa de ativos do banco e à redução do montante das perdas pela venda da atividade que o herdeiro do BES tinha em Espanha.

Numa nova ronda de inquirições no âmbito da comissão parlamentar sobre as perdas do Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, Rui Fontes, vogal da instituição financeira, afirmou esta sexta-feira que os casos dos grandes devedores que têm sido ouvidos não representam a normal atividade do banco.

Já Margarida Corrêa de Aguiar, líder do supervisor dos seguros, disse que o Novo Banco parece ter-se desinteressado da seguradora GNB Vida no momento de a vender. O ativo foi alienado por 123 milhões de euros, em vez dos 191 milhões da oferta inicial.

Não quis exercer penhor sob Tranquilidade
O ex-presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), José Almaça, disse esta sexta-feira no parlamento que o Novo Banco não quis exercer o penhor que tinha sobre a seguradora Tranquilidade. Segundo explicou, o banco "estava com problemas de liquidez" e corria o risco de perder o estatuto de contraparte do Banco Central Europeu, uma vez que a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia não autorizava.

STJ rejeita tornar público ‘relatório Costa Pinto’
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o pedido da comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco para tornar público o ‘relatório Costa Pinto’, que avaliou a conduta do Banco de Portugal na resolução do BES. De acordo com o acórdão, "o que verdadeiramente está em jogo neste procedimento é a dispensa de sigilo" da comissão de inquérito e "o modo e termos em que pode ser utilizado" o documento. O tribunal ressalva que apesar de a situação de quebra de segredo não se verificar, a comissão de inquérito não está "inibida de utilizar o documento para os fins da sua investigação e no relatório final".
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