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Correio da Manhã

Economia
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Novo crédito à habitação está 300 € mais caro

Famílias estão a pagar mais por casas que valem cada vez menos. Um empréstimo novo de 150 mil euros exige uma mensalidade de 875 euros
30 de Agosto de 2011 às 00:30
A avaliação que os bancos fazem aos imóveis caiu 4,1% no País em relação ao valor de Julho de 2010
A avaliação que os bancos fazem aos imóveis caiu 4,1% no País em relação ao valor de Julho de 2010 FOTO: DIREITOS RESERVADOS

Os juros têm estado a subir e, a cada renovação dos contratos de crédito à habitação, as famílias têm de suportar uma prestação cada vez mais cara. Quem agora contrai um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, paga mais 310 euros por mês do que há um ano .

Os banqueiros avisaram que o crédito barato ia acabar, e os números reflectem isso mesmo. Segundo as contas feitas pela Deco a pedido do CM, um empréstimo à habitação no valor de 150 mil euros, contratado nas actuais condições (spreads entre 3 e 4%), com um prazo de 30 anos e indexado à Euribor a seis meses, tem um encargo mensal de 875,84 euros. Há um ano, o mesmo empréstimo – no mesmo valor, com o mesmo prazo de amortização, com o mesmo indexante mas com um spread de 1% – tinha uma mensalidade de 565,52 euros.

As famílias com créditos naquelas condições, e cujos contratos sejam revistos em Setembro, vão pagar 612,76 euros de prestação, o que equivale a um agravamento de 47,24 euros em relação ao mesmo mês de 2010. A actualização das prestações para a compra de casa é feita de acordo com a média da Euribor do último mês. Segundo as contas da Deco, até ontem, a média da Euribor a seis meses situou-se nos 1,755%, bem acima dos 1,147% de Agosto de 2010. Ainda que faltem dois dias para o encerramento do mês, a taxa média não deverá sofrer alterações. Os números ontem revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam no mesmo sentido: em Julho, a taxa média dos contratos à habitação situou-se nos 2,43%, sendo que, nos empréstimos contraídos nos últimos três meses, os juros estavam nos 3,975%.

A somar a isto, os imóveis têm sofrido fortes quebras na avaliação feita pelos bancos – essencial para a concessão do crédito. O INE mostra que a avaliação bancária caiu 4,1% em todo o País para 114 euros por metro quadrado.

DECO PEDE BOLSA DE PERITOS PARA AVALIAR IMÓVEIS

A Deco critica, na última edição da revista ‘Dinheiro e Direitos’, o facto de os clientes bancários não terem opção de escolha quando contratam um empréstimo à habitação e pagam a avaliação do imóvel à instituição escolhida pelo banco. Por isso, defendem que os consumidores deveriam optar por uma bolsa de peritos para a avaliação dos imóveis. "É criticável que as instituições bancárias vendam um serviço que não é prestado por si e, em muitos casos, lucrem com isso", diz a Deco.

 

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