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Correio da Manhã

Economia
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Nuno Amado: "Chipre e Portugal têm situações diferentes"

Presidente do BCP salientou que a situação da banca em Portugal é atualmente mais sólida que a de Chipre.
20 de Maio de 2013 às 19:39

O presidente do BCP, Nuno Amado, afirmou esta segunda-feira que a realidade portuguesa é "claramente diferente" da que se vive no Chipre, acentuando que a situação da banca em Portugal é atualmente "mais sólida" do que há seis meses.

"Chipre e Portugal têm situações completamente diferentes, são conhecidas e são claras. O setor financeiro em Chipre tinha uma dimensão absolutamente extraordinária, grande parte dos depósitos eram de não residentes, não tem nada a ver com Portugal", disse Nuno Amado aos jornalistas no final da Assembleia-geral do banco.

As declarações do presidente da comissão executiva do Millenium BCP surgem a título de "esclarecimento", um dia depois da publicação de um artigo publicado na edição online do jornal britânico 'Finacial Times', com o título 'Bancos portugueses temem vírus de Chipre'.

De acordo com o mesmo jornal, Nuno Amado afirma no referido artigo que, "se alguém tivesse desenhado um plano para danificar o mercado europeu, teria sido difícil pensar em algo melhor" do que a solução aplicada em Chipre.

Nuno Amado esclareceu entretanto que "essas afirmações foram ditas numa conversa no dia 2 de maio, há três semanas, tinham que ver muito com a decisão inicial de Chipre, uma situação muito má e que colocou um conjunto de questões adicionais sobre a própria forma de atuar das autoridades.

"A decisão era tão boa ou tão má que foi completamente alterada", disse o banqueiro.

O plano de resgate no valor de 10 mil milhões de euros, aplicado pela troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), em Chipre, previu um corte nos depósitos acima de 100 mil euros, que inicialmente chegou mesmo a abranger também quantias até esse montante.

Afastando a possibilidade de tal medida poder ser aplicada em Portugal, Nuno Amado acentuou que "os depositantes têm hoje no caso do Millenium e outros, bancos com mais capital e com uma melhor posição de liquidez. Inquestionavelmente, estão hoje mais seguros do que estavam há seis meses atrás, há um ano e há dois anos".

Nuno Amado destacou que há dois aspetos a considerar: a melhor capacidade dos bancos em termos de capital e em termos de liquidez e o facto de existir um fundo de garantia que cobre os depósitos até 100 mil euros.

"A situação está bastante mais sólida do que há dois, três, quatro anos. Estou confiante, seguro, que a situação se normalizará", concluiu o presidente do BCP.

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