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Correio da Manhã

Economia
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Oliveira e Costa arranjou crédito a ex-administrador através do Insular

Francisco Comprido, antigo administrador do BPN, admitiu hoje, na comissão de inquérito ao BPN, que obteve empréstimo do Banco Insular, em 2003, por intervenção de Oliveira e Costa, sem ter prestado quaisquer garantias reais. A dívida era unicamente acautelada pelo valor do salário do ex-gestor.
17 de Março de 2009 às 21:06
Oliveira e Costa arranjou crédito a ex-administrador através do Insular
Oliveira e Costa arranjou crédito a ex-administrador através do Insular FOTO: D.R.

"Tive conhecimento de um banco com esse nome em Março ou Abril de 2003. O meu conhecimento acerca de um banco com ese nome em Cabo Verde teve a ver com uma transacção de natureza estritamente pessoal", explicou o ex-gestor aos deputados.

Francisco Comprido contou à comissão de inquérito que nesse período informou presidente do banco, Oliveira e Costa, "de que iria procurar financiamento pessoal junto de outro banco". "O senhor presidente ofereceu-se para procurar uma solução que fosse favorável", resumiu o antigo administrador, acrescentando que "a instituição que concedeu esse empréstimo foi uma instituição em Cabo Verde com esse nome", Banco Insular.

O antigo quadro do BPN garantiu que não contactou ninguém em cabo Verde. "Foi tratado entre mim e o senhor presidente", disse Francisco Comprido, lemnrando que foi "o senhor presidente" quem lhe "fez chegar um documento relativo a um contrato de empréstimo". "Foi depositado na minha conta e todos os meses era-me debitado o montante dos juros", acrescentou. O crédito foi concedido através de um "contrato verbal" entre Oliveira e Costa e Francisco Comprido. "As minhas expectativas em relação à remunreação eram bastante superiores ao valor do empréstimo", explicou, acrescentando que " a minha garantia que podia dar eram essas mesmas expectativas".

Francisco Comprido assumiu ainda que todos os meses fazia chegar a Oliveira e Costa "um memorando pessoal reservado com a descrição completa dos juros que estavam a ser cobrados em conta".

NEGÓCIO DE PORTO RICO

O ex-administrador do BPN, que é igualmente presidente do fundo que comprou a Biometrics - a empresa de Porto Rico que originou uma perda de 38 milhões de euros à SLN -, afirmou não se recordar do nome das pessoas que estiveram envolvidas na venda da empresa. Ainda assim, garante que "o preço a que a empresa foi comprada foi igual ao preço a que foi vendida".

Certo é que Dias Loureiro assinou o contrato de cessação da participação das empresas da SLN e do fundo presidido por Francisco Comprido e que dava conta da venda da Biometrics por um dólar. O antigo administrador garantiu aos deputados que nunca assinou nenhuma procuração para esse efeito. "Eu não quero negar a validade desse contrato, mas eu tenho um hábito. Quando é invocado o nome de uma sociedade a que pertenço eu procuro pela minha assinatura e ela não está aqui.  Ou procuro uma procuração", resumiu, acrescentando: "Eu não me recordo de assinar qualquer procuração."

AMIGO LIBANÊS

Francisco Comprido explicou ter conhecido El-Assir, o amigo libanês de Dias Loureiro, após a concessão de um crédito, com garantias, por parte do BPN. E assumiu que até à sua saída da instituição, em 2003, "todas as obrigações deste cliente estavam em total cumprimento". Isto apesar de ter sido confrontado por João Semedo, deputado do BE, com o facto de El-Assir ser um dos clientes devedores do banco no valor de 28 milhões de euros.

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