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Correio da Manhã

Economia
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Oliveira e Costa hoje na Boa-Hora

José Oliveira e Costa é esperado hoje no Tribunal da Boa-Hora. O ex-presidente do Banco Português de Negócios (BPN) vai ser ouvido na qualidade de testemunha no caso em que cinco homens são acusados de tentar extorquir cinco milhões de euros ao banco, então por si presidido.
11 de Março de 2009 às 00:30
Depois de ter ido à Comissão Parlamentar (onde se remeteu ao silêncio), Oliveira e Costa é esperado hoje no Tribunal da Boa-Hora
Depois de ter ido à Comissão Parlamentar (onde se remeteu ao silêncio), Oliveira e Costa é esperado hoje no Tribunal da Boa-Hora FOTO: João Cortesão

José Oliveira e Costa reuniu-se diversas vezes com Severiano Correia, o homem a quem competia exigir cinco milhões ao BPN a troco de não serem divulgados à Comunicação Social documentos que supostamente comprovavam um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia uma agência do BPN de Pevidém.

Ouvido em tribunal na última sessão, Armando Pinto, advogado do banco, contou que Oliveira e Costa – sabendo que os documentos em causa nada continham de comprometedor – aceitou negociar e acordou entregar 2,5 milhões de euros. Nunca teve, porém, qualquer intenção de pagar: a Polícia Judiciária foi avisada e as reuniões passaram a ser gravadas em vídeo. Com a anuência da PJ, foi montada uma armadilha.

Após várias reuniões inconclusivas, Severiano Correia aceitou sair do banco com uma pasta contendo 50 mil euros, entregue à saída de uma reunião com Oliveira e Costa no BPN, em Janeiro de 2008.

A PJ deteve ainda um advogado de Vizela, Domingos Freitas, que disse em tribunal ter executado o plano concebido por José Pimenta, ex-funcionário do BPN, e pelo filho deste, Bruno Pimenta. O pai não está presente no julgamento por doença e o filho nega que alguma vez tenha tido intenção de extorquir o BPN. Afirma que se limitou a pedir opinião sobre os documentos de Pevidém a Domingos Freitas. O quinto arguido é o advogado Guilherme Santos, acusado de fazer parte do esquema mas que nega o envolvimento na extorsão.

A audição de Oliveira e Costa foi combinada na última sessão de julgamento. O ex-presidente entra amanhã numa sala de audiências, mas desta vez é ele quem acusa.

CONTAS FORJADAS PARA MOSTRAR A CONSTÂNCIO

José Fragoso de Sousa, antigo administrador do BPN para a área comercial e que foi afastado do cargo em 2006 por estar em desacordo com a restante administração do banco, recusou-se a assinar o relatório e contas de 2005. Segundo o antigo quadro José Ferreira, outro administrador do banco pediu-lhe "com urgência que colocasse a assinatura no relatório, evocando a circunstância de o relatório estar a ser solicitado pelo Banco de Portugal".

Após a recusa em assinar o documento, que estava já rubricado por todos os restantes administradores, Fragoso de Sousa confessou que "no dia seguinte o relatório desapareceu da minha mesa". Segundo o ex-administrador, terá sido produzido outro relatório, tendo o seu nome sido substituído. n

"PLANFIN APENAS PROCESSAVA OS SALÁRIOS"

Leonel Mateus, antigo quadro da SLN, revelou ontem que a Planfin, anteriormente definida na comissão de inquérito parlamentar como "a arquitecta das offshores", só processava a remuneração dos funcionários que nela trabalhavam, cobrando esse valor à SLN. "A partir de 2002, a Planfin enquanto sociedade limitou-se a processar o vencimento das pessoas e a debitar esse valor à SLN", explicou aos deputados, negando ter conhecimento de quem ordenava a criação dos paraísos fiscais do grupo então presidido por Oliveira e Costa. Leonel Mateus negou ainda ter ordenado quaisquer operações do BPN para o Banco Insular.

PORMENORES

NO PARLAMENTO

Foi no dia 13 de Janeiro queOliveira e Costa saiu da prisão para ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BPN

SILÊNCIO

Aos deputados o ex-banqueiro evocou o segredo de justiça para se remeter ao silêncio.

EXAMES MÉDICOS

Na segunda-feira Oliveira e Costa foi ao hospital prisional de Caxias para exames médicos em virtude do seu debilitado estado de saúde.

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