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ONU estima redução do crescimento da economia global para 2,6% devido à guerra no Médio Oriente

Prevê também uma desaceleração no crescimento do comércio de mercadorias, passando dos 4,7% de 2025 para entre 1,5% e 2,5% este ano.

01 de abril de 2026 às 19:02

A guerra no Irão está a causar incerteza e perturbações comerciais, inflacionistas e financeiras que irão travar o crescimento económico mundial para 2,6% em 2026, três décimas a menos do que em 2025, antecipou esta quarta-feira a ONU.

A ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em Inglês) condiciona este indicador à não intensificação do conflito, numa análise após um mês de guerra, na qual prevê também uma desaceleração ainda maior no crescimento do comércio de mercadorias, passando dos 4,7% de 2025 para entre 1,5% e 2,5% este ano.

"Se a situação continuar, as interrupções do comércio e os mercados financeiros poderão agravar-se, aumentando o risco de uma crise mais ampla e em cascata", alerta a UNCTAD, citada pela agência espanhola EFE.

A ONU assinala que o primeiro efeito económico da guerra se fez sentir com o bloqueio quase total do estreito de Ormuz, artéria vital para o transporte de petróleo e gás, onde o tráfego de navios caiu de cerca de 130 por dia em fevereiro para apenas seis em março.

O bloqueio está a afetar grande parte do abastecimento mundial de combustíveis fósseis, com consequências imediatas para a produção, comércio e consumo a nível mundial, especialmente nas regiões mais dependentes das importações de energia do Médio Oriente, como a Europa ou a Ásia Meridional.

Os efeitos propagaram-se aos transportes em geral, incluindo rotas marítimas, aéreas e logística portuária, aponta a UNCTAD.

Ao mesmo tempo, a inflação volta a subir, o que agrava a instabilidade financeira, numa escalada, que, segundo a ONU, "está a deixar a descoberto vulnerabilidades subjacentes, como o fraco crescimento, o aumento da desigualdade e o aumento do custo de vida".

No setor financeiro, a UNCTAD alerta para o enfraquecimento das moedas dos países em desenvolvimento, o que encarece ainda mais as importações, bem como os custos de endividamento desses Estados nos mercados internacionais, "dificultando a obtenção de capital precisamente quando é mais necessário".

Os problemas de endividamento criam uma enorme vulnerabilidade a nível global, alerta, recordando que cerca de 3.400 milhões de pessoas vivem em países que já gastam mais na amortização da dívida pública do que em saúde ou educação, "deixando pouca margem para absorver novos choques".

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