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Correio da Manhã

Economia
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Opel pode fechar

Os trabalhadores da Opel da Azambuja estão hoje em greve por aumentos salariais de 75 euros e garantem não ceder à “ameaça” da administração da empresa, que diz que a fábrica pode fechar daqui a três anos, se não houver contenção salarial e maior flexibilidade dos operários.
10 de Março de 2005 às 00:00
Os trabalhadores em greve vão permanecer nos seus postos de trabalho durante o horário laboral e, segunda-feira, há novo plenário para analisar a situação, donde poderão sair “novas formas de luta”, adiantou ao CM Paulo Vicente, da comissão de trabalhadores da Opel da Azambuja.
O porta-voz da administração, Miguel Tomé, defende que é necessário um mecanismo de flexibilidade por parte dos trabalhadores, que permita parar a produção da fábrica em determinados dias, quando existir fraca procura e chamar os operários à fábrica, dois sábados por ano, em alturas de maior procura. “É preciso garantir a competitividade da fábrica da Azambuja, caso contrário, quando o ciclo de produção do Combo terminar, em 2008, podemos ficar sem novo produto, correndo o risco de fechar”, alerta o porta-voz da empresa.
Para o coordenador da comissão de trabalhadores “tudo não passa de uma ameaça”, pois quem decide o fecho de fábricas é a casa-mãe, a General Motors.
Paulo Vicente diz ainda que “ninguém se recusa trabalhar aos sábados, desde que haja contrapartidas. O trabalho aos sábados põe em causa a vida familiar dos trabalhadores, que actualmente já trabalham por turnos, entre as seis da manhã e as onze da noite”, sublinha.
MÉDIA SALARIAL É DE 1100 EUROS
A média salarial dos operadores de linha da Opel da Azambuja é de 1100 euros mensais, estando “duas vezes e meia” acima da média da contratação colectiva para o sector, adianta o porta-voz da empresa, Miguel Tomé ao nosso jornal.
Segundo o responsável, a proposta da administração para aumentos salariais é de dois por cento, mas o valor é indexado directamente à inflação. Ou seja, se no final do ano se verificar uma taxa de inflação mais elevada, “o valor é actualizado e paga-se a diferença com retroactivos”.
Outra das propostas da administração é uma extensão de 16 horas de trabalho, equivalente a dois sábados por ano.
Os trabalhadores consideram que a proposta salarial não tem em consideração o poder de compra e reivindicam 75 euros de aumento.
OUTRAS NOTAS
MENOS DE 320 CARROS
A Opel da Azambuja tem 1200 trabalhadores e produz 70 mil carros por ano. A greve representa uma quebra de 320.
CONCORRENTES
A fábrica da Azambuja está a concorrer com as de Saragoça, da Polónia e da Alemanha para fabricar, a partir de 2008, o novo modelo da Combo.
NA ALEMANHA
A reestruturação da General Motors provocou greves na Alemanha, onde vão ser reduzidos dez mil postos de trabalho.
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