Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
1

Oposição acusa Lino de recuo

A decisão do ministro das Obras Públicas, Mário Lino, ao ter atribuído ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) o estudo das opções para a terceira travessia do Tejo foi encarada pela oposição como novo recuo por parte do Governo, depois do processo que acabou por consagrar Alcochete como escolha para a localização do futuro aeroporto.
9 de Fevereiro de 2008 às 00:30
Apesar da opção Chelas-Barreiro ser neste momento a escolha do Executivo, tendo mesmo sido confirmada por José Sócrates a 10 de Janeiro em reunião do Conselho de Ministros, duas outras opções estão em cima da mesa. A saber: eixo Beato-Montijo, defendida pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), e eixo Algés-Trafaria (ver info). Outra questão coloca-se com a natureza da travessia, se esta deverá ser rodo-ferroviária ou exclusivamente ferroviária.
Afirmando o carácter preliminar da decisão tomada em Conselho de Ministro e lembrando que a opção Chelas-Barreiro “tem sido sempre confirmada pelos sucessivos Governos”, Mário Lino defendeu a generosidade do estudo por parte do LNEC face às propostas alternativas de localização que têm sido tornadas públicas desde Novembro, ainda que a RAVE já tenha procedido à sua avaliação comparativa.
Para os partidos da Oposição esta decisão do ministro mais não é do que um sinal de recuo do Governo, chegando o CDS a acusá-lo de ter “desautorizado” o primeiro-ministro. Para o deputado Jorge Costa, do PSD, a decisão de pedir novo estudo vai ao encontro do desafio lançado ao ministro pelo seu partido, lamentando-se contudo que este estudo não envolva a avaliação das duas alternativas, pela margem Sul ou Norte, sobre a porta de chegada a Lisboa do TGV.
O ministro Mário Lino deu um prazo de 45 dias ao LNEC para avançar com conclusões, lembrando, contudo, que o parecer não é soberano.
Depois da OTA, nova polémica envolvendo um grande investimento público crispa a discussão na Assembleia da República e na sociedade.
AUTARCA FALA DE "LÓBIS"
O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto, afirmou desconhecer os motivos que levaram Mário Lino a pedir ao LNEC novo estudo sobre a terceira travessia do Tejo, falando em “lóbis” de pressão na génese da tomada de posição pelo Governo, quando todos os estudos anteriormente realizados apontavam para a hipótese Barreiro-Chelas. Para o autarca, o eixo Barreiro-Chelas constitui a melhor opção para a nova ponte, lembrando o anúncio do primeiro-ministro nesse sentido a 10 de Janeiro. Carlos Humberto, que considera igualmente que a ponte deverá ser rodo-ferroviária, aliás opção já considerada acertada pelo LNEC, manifestou-se preocupado por a tomada de decisão do Governo em avançar com novo estudo querer significar que a decisão afinal ainda não está tomada. O autarca, declarando contudo manter-se confiante, afirmou que, caso o Executivo opte por nova localização em virtude do parecer do LNEC, “terá de assumir a responsabilidade a todos os níveis e as consequências que daí advêm para o Barreiro”.
PROPOSTA PARA A TERCEIRA TRAVESSIA DO TEJO
O Governo anunciou a opção Chelas-Barreiro a 10 de Janeiro. Contudo, o estudo do LNEC poderá ditar outras soluções, nomeadamente, a travessia ferroviária Beato-Montijo e o túnel rodoviário Algés-Trafaria
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)