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Correio da Manhã

Economia
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OVELHA DO ALGARVE ESTÁ EM RISCOS DE EXTINÇÃO

A ovelha churra algarvia tem visto diminuir o número de produtores e de efectivos ao longo dos últimos anos, o que está a preocupar os responsáveis pela associação do sector (ASCAL)
20 de Agosto de 2002 às 22:28
A situação é particularmente preocupante, com uma quebra assinalável de há uns tempos a esta parte, a ponto de temer-se pelo seu desaparecimento num prazo não muito distante, a exemplo do que já sucedeu com a vaca algarvia.

"Está em curso o processo de certificação da carne da ovelha churra algarvia, na tentativa de valorizar o produto. Tratam-se de animais que se alimentam em pastagens naturais e não comem rações e isso constitui um importante factor a ter em conta", refere João Santana, responsável da Associação de Criadores de Gado do Algarve (ASCAL).

Actualmente, existem quinze explorações registadas e um total de 2500 efectivos, muito longe dos números de há uns anos.

A idade avançada dos produtores, um surto de brucelose que levou ao abate de rebanhos inteiros em tempos não muitos distantes e a fraca rentabilidade oferecida pelos animais contam-se entre as principais razões da diminuição do número de efectivos, juntando-se a isso o pouco crescimento do valor comercial das carcaças.

"A ovelha churra algarvia vive os mesmos problemas que a generalidade das raças portuguesas. Chegamos a ter 60 criadores, contra os quinze actuais, o que traduz bem a quebra registada, com a agravante dos próximos tempos não se adivinharem risonhos", assinala João Santana.

A Fatacil tem, desde as suas primeiras edições, reservado um espaço generoso para as raças algarvias de ovinos e caprinos, o que volta a repetir-se na feira deste ano, apesar dos problemas provocados pela brucelose, que afectaram muitas explorações da região em tempos não muito distantes. A doença, contudo, tem regredido na região, para alívio dos produtores, muitos dos quais sofreram prejuízo avultados.

"Há um controlo rigoroso no aspecto sanitário e só se encontram em exposição animais provenientes de explorações devidamente controladas”, disse tanto no que concerne aos ovinos como nos casos dos caprinos, bovinos e ainda equídeos", esclarece Miguel Vieira, responsável pelo sector agro-pecuário da feira, acrescentando ainda que a alimentação fornecida aos animais, durante a Fatacil, procura respeitar a dieta a que estão habituados. "Consomem apenas produtos naturais."

Carne de cabra com muita procura

A cabra algarvia vive, tal como a ovelha, problemas significativos. O número de explorações tem diminuído, devido ao envelhecimento dos produtores e à dificuldade em cativar jovens para a actividade, mas, em contraponto, as que existem possuem um maior número de efectivos, com a vantagem de, além das carcaças, ser ainda explorado o leite e o queijo, os quais registam uma crescente aceitação.

A ANCRAL (Associação Nacional de Criadores de Caprinos da Raça Algarvia) tem registadas 85 explorações e cerca de doze mil efectivos, com alguns subsídios comunitários a proporcionarem aos produtores da região a melhoria das condições oferecidas aos animais e uma maior agressividade comercial, impondo, nos últimos anos, a carne e o queijo em nichos de mercado já relativamente significativos.

"Só há um caminho: a valorização do produto", frisa Francisco Figueiras, responsável da ASCAL, que confia na "excepcional qualidade da carne da cabra algarvia e de sub-produtos como o leite e o queijo" para uma "afirmação crescente num mercado cada vez mais competitivo e concorrencial", com a associação a desenvolver programas de apoio aos produtores da raça.

Se a exploração da cabra algarvia vier a revelar-se "minimamente rentável" nos tempos mais próximos Francisco Figueiras acredita numa revitalização da produção, sendo invertida a tendência de quebra registada nos últimos anos.
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