Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
4

Pacto de regime para austeridade

Primeiro-ministro e líder da Oposição dizem que o importante não é pensar ao nível de clubes, mas sim defender a selecção nacional.
28 de Abril de 2010 às 00:30
No dia em que a S&P cortou o rating ao País, analistas da agência baixaram a classificação da Grécia de BBB  para BB . O país tornou-se numa ‘junk bond’: a dívida deixa assim de servir como colateral no BCE.
No dia em que a S&P cortou o rating ao País, analistas da agência baixaram a classificação da Grécia de BBB para BB . O país tornou-se numa ‘junk bond’: a dívida deixa assim de servir como colateral no BCE. FOTO: Stringer/Reuters

O corte da classificação da dívida da República Portuguesa de A para A- comunicado ontem pela Standard & Poor’s (S&P) lançou o pânico na Bolsa e provocou um ‘toque a rebate’ no Governo e na Oposição. Passos Coelho telefonou a José Sócrates e ambos combinaram para hoje um encontro em São Bento. Fonte próxima do gabinete do primeiro-ministro disse ao CM que 'a mensagem a passar é de unidade nacional'. Utilizando uma comparação com o mundo do futebol, a mesma fonte adiantou: 'Não é tempo de pensar ao nível de clubes, de Benfica ou Sporting. É tempo de defender a selecção nacional'. Os diversos chefes de Governo dos países que estão sob ataque especulativo nos últimos dias têm mantido conversas telefónicas para combinar uma reacção à instabilidade dos mercados.

Ontem, a agência de rating S&P cortou a classificação de risco da dívida pública em dois níveis (de A para A-) fundamentando a decisão no facto, entre outros, 'de as finanças públicas portuguesas permanecerem estruturalmente frágeis'.

O dia começou com a continuação da pressão sobre as Obrigações do Tesouro (OT) a dez anos, que atingiram os 5,5 por cento, o nível mais alto desde 2001. O líder do PSD afirmou que 'as nossas diferenças, entre o PSD e o Governo, não nos impedem de fazer a defesa do País, que está sob ataque especulativo desde sexta--feira, o que está a pôr em causa a nossa soberania nacional'. O encontro de hoje com Sócrates servirá para o PSD apresentar sugestões próprias, inscritas no plano B do partido para o PEC, já apresentado no Parlamento pelo líder da bancada, Miguel Macedo. O objectivo: reduzir a despesa pública em 1,7 mil milhões de euros.

O CM questionou o Ministério das Finanças sobre a possibilidade de o Governo tomar medidas adicionais semelhantes às que a Grécia tomou com o congelamento das reformas ou a redução em 30% do 13º mês dos funcionários públicos e em 60% o 14º mês. O gabinete de Teixeira dos Santos referiu que 'nada havia a acrescentar' à reacção do ministro.

'TUDO O QUE FOR NECESSÁRIO'

O ministro das Finanças reagiu pouco depois de a S&P ter cortado a classificação da dívida portuguesa. 'Como no passado, faremos o que for necessário para assegurar a eliminação do défice excessivo e para promover a competitividade da economia portuguesa.' À semelhança do que disse Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal Americana, após a falência do Lehman Brothers, em 2008, 'tudo o que for necessário', Teixeira dos Santos deixou claro que os sacrifícios pedidos aos portugueses podem aumentar já este ano.

'Temos de nos manter serenos e firmes e fazer o que tem de ser feito. E o que tem de ser feito é tomar medidas. O Governo já anunciou medidas a tomar. O Conselho Europeu e a Comissão Europeia já exprimiram o seu apoio. O Governo já iniciou a execução de medidas. Temos de prosseguir sem hesitações', disse o ministro.

ALERTA PARA 'MANIPULAÇÃO'

O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, alertou para a necessidade de distinguir entre especulação e manipulação.

'Há que garantir que nestas alturas [de agitação dos mercados] não há abuso de mercado', afirmou aos jornalistas. Carlos Tavares sugeriu ainda que é necessário dar aos reguladores do mercado bolsista e financeiro 'mais mecanismos de regulação efectiva'.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)