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Correio da Manhã

Economia
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Pandemia dita quebra histórica nos registos para alojamento local

Quebra homóloga é de 60%, após ter sido identificado o primeiro caso de Covid-19 no País.
Wilson Ledo 27 de Setembro de 2020 às 09:25
No mês de julho, os alojamentos locais de Lisboa e do Porto registaram melhorias na ocupação, mas com valores modestos de 12% e 17%, respetivamente
No mês de julho, os alojamentos locais de Lisboa e do Porto registaram melhorias na ocupação, mas com valores modestos de 12% e 17%, respetivamente
O número de novos registos de alojamentos locais caiu em flecha após a pandemia. De março a agosto, deram entrada 3838 novos espaços no Registo Nacional do Alojamento Local (RNAL). O número representa uma quebra de 60% face aos 9242 registos de igual período do ano passado.

Este é também o número mais baixo de registos desde que este passo passou a ser obrigatório por lei há cinco anos. O recorde estava fixado em 2018, com 13 558 registos no intervalo temporal entre março e agosto.

A quebra acentuada de turistas e as incertezas quanto ao futuro estão assim a fazer com que menos pessoas queiram apostar neste negócio. Apesar deste cenário de quebra nos registos, o número de desistências após a pandemia mantém-se bastante em linha com o ano passado.

De março a agosto, foram 1360 os espaços a cessar atividade, mais 72 do que há um ano, mostram dados do Turismo de Portugal. Ainda assim, reforça-se um cenário que já se verificava antes da crise, com o número de desistências a subir, perante um setor cada vez mais competitivo e a assistir à concentração da oferta em grandes empresas.

Mesmo em mês de confinamento, com a economia praticamente fechada em abril, houve 189 espaços de alojamento local que chegaram ao mercado. O número de novos registos vai crescendo depois, gradualmente, com a reabertura da economia, mas não voltou a superar os 993 registos verificados em março. O valor mais próximo diz respeito ao mês de julho, com 947.

Em julho, precisamente, os alojamentos locais de Lisboa e Porto registaram melhorias na ocupação, com 12% e 17%, respetivamente. Os dados da Confidencial Imobiliário apontam estes valores como os mais elevados desde que a pandemia chegou ao País. Ainda assim, muito longe dos quase 70% de ocupação no mesmo mês de 2019.

pormenores
Quase 95 mil no País
Até 31 de agosto, o País tinha 94 883 alojamentos locais registados. São mais 8685 do que há um ano, mostra o RNAL.

Recuperação só na Páscoa
A associação que representa o setor, a ALEP, pediu mais apoios ao Estado, alertando que a recuperação só deverá sentir-se a partir da Páscoa de 2021.

Campo foge à tendência
Contrariando o cenário geral, a pandemia ditou uma maior procura por alojamentos locais no campo. Piscina privada é um dos critérios que mais pesam na decisão de reservar.
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