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Correio da Manhã

Economia
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Parlamento quer esclarecimentos de Vítor Gaspar sobre 6ª avaliação da troika

Os deputados da comissão de acompanhamento do programa da 'troika' decidiram chamar o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, para falar sobre a extensão das benesses à Grécia a Portugal juntamente com a sexta avaliação, mas a maioria recusou a audição exclusiva sobre o tema.
5 de Dezembro de 2012 às 13:25
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar FOTO: Lusa

O Bloco de Esquerda apresentou um requerimento na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública para que o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, esclarecesse as suas declarações na sequência da reunião do Eurogrupo que decidiu um conjunto de medidas que beneficiam a Grécia no que diz respeito as condições do empréstimo da 'troika'.

"Todos nós ouvimos o Governo a dizer que as condições aplicadas à Grécia seriam, com base no princípio de igualdade, também aplicadas em Portugal. Não foi uma declaração qualquer produzida em resposta a uma pergunta mal formulada num canto escuro. É incompreensível que o mesmo ministro das Finanças venha dizer aos portugueses que quem ouviu mal foram os portugueses, numa espécie de atestado de incompetência aos portugueses e aos jornalistas", afirmou Pedro Filipe Soares.

No entanto, ao mesmo tempo que se discutia o requerimento do Bloco de Esquerda na comissão de orçamento e finanças, os coordenadores da comissão parlamentar de acompanhamento das medidas do programa também estava reunida para discutir a audição do ministro no âmbito da sexta avaliação, e o PSD, apesar de não recusar a importância do tema, entendeu que seria melhor juntar os dois na mesma audição.

"Do que ouvimos do BE não podemos deixar de ficar com a sensação que o ministro das Finanças português toma estas decisões unilateralmente e que não há uma decisão do Eurogrupo. Não temos informação suficiente para dizer que o ministro mudou de opinião e que não defendeu os interesses de Portugal. O PSD entende que há matéria para que o senhor ministro das finanças seja ouvido no parlamento", afirmou Miguel Frasquilho, que defendeu no entanto que a audição versasse sobre os dois temas.

As bancadas dividiram-se sobre que comissão devia chamar o ministro e se e como deveria ser feito, mas o BE e o PCP mantiveram a posição de que estes temas do Eurogrupo são tratados pela comissão de orçamento e que a questão era demasiado importante para ser diluída na sexta avaliação.

O Partido Socialista apoiou a proposta do Bloco de Esquerda, mas defendeu que esta fosse tratada na comissão de acompanhamento.

"A nossa posição é de concordância com o sentido de fundo do pedido, consideramos que o que está em causa é da maior importância, avaliar qual é a posição do país em relação as condições do empréstimo à Grécia. Justifica-se com todo o sentido de urgência face ao que está em causa e face ao que é uma alteração do que é o quadro europeu do relacionamento com Portugal", afirmou o socialista Fernando Medina.

Vera Rodrigues do CDS-PP expressou uma opinião no mesmo sentido no que diz respeito a quem devia ouvir o ministro, apesar de todos deixarem margem para ser uma audição conjunta, e esclareceu que o CDS-PP não iria votar contra a iniciativa do BE.

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