Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
7

Patrões propõem valor de 625 euros para salário mínimo em 2020

Confederação do Comércio não alinhou no valor proposto pelos restantes patrões.
Janete Frazão e Raquel Oliveira 7 de Novembro de 2019 às 08:56
Ministra do Trabalho reúne-se pela primeira vez com os parceiros sociais na concertação social para ouvir propostas e explicar agenda futura
Mendonça Mendes participou no encontro com os parceiros
António Costa defende melhores salários para jovens qualificados
Entre os 22 países europeus que atualizaram o salário mínimo em 2019 por via legislativa, Portugal surge na 12ª posição
Aumento geral de rendimentos pode passar por descida da carga fiscal da luz
Ministra do Trabalho reúne-se pela primeira vez com os parceiros sociais na concertação social para ouvir propostas e explicar agenda futura
Mendonça Mendes participou no encontro com os parceiros
António Costa defende melhores salários para jovens qualificados
Entre os 22 países europeus que atualizaram o salário mínimo em 2019 por via legislativa, Portugal surge na 12ª posição
Aumento geral de rendimentos pode passar por descida da carga fiscal da luz
Ministra do Trabalho reúne-se pela primeira vez com os parceiros sociais na concertação social para ouvir propostas e explicar agenda futura
Mendonça Mendes participou no encontro com os parceiros
António Costa defende melhores salários para jovens qualificados
Entre os 22 países europeus que atualizaram o salário mínimo em 2019 por via legislativa, Portugal surge na 12ª posição
Aumento geral de rendimentos pode passar por descida da carga fiscal da luz
A UGT mostrou-se esta quarta-feira disponível para recuar dos 660 euros que tinha proposto para o salário mínimo em 2020 mas recusou a proposta dos patrões, que terão acertado entre si um valor: uma subida de 25 euros. Quanto ao valor que o Governo defende, só será conhecido na próxima semana.

O aumento até aos 750 euros - a meta definida pelo Executivo para 2023 - será feito de forma "gradual e equilibrada".

Esta foi a única garantia dada por Ana Mendes Godinho, que esta quarta-feira se estreou na reunião da concertação social como ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Ana Mendes Godinho reafirmou a meta do Governo mas não quis adiantar nada sobre o valor que o Executivo quer fixar para o salário mínimo no próximo ano.

Os representantes dos patrões - da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), do Turismo de Portugal (CTP) e dos Agricultores de Portugal (CAP) - terão acertado uma proposta para o próximo ano de 625 euros, um valor que "não convence" a UGT, como afirmou Carlos Silva.

De fora deste acordo patronal ficou a Confederação do Comércio e Serviços (CCP), liderado por João Vieira Lopes.

Aos jornalistas, o presidente da CIP disse que não tinha apresentado nenhuma proposta de valor para o salário mínimo ao Governo, mas calculou que, tendo em conta a taxa de inflação e o crescimento previsto para o PIB e para a produtividade, o aumento deveria ser de 17 euros.

No entanto, António Saraiva acabou por admitiu que por questões de justiça social e combate à pobreza o aumento deveria ser superior.

Já os sindicatos insistem na importância do aumento salarial para a própria economia e até a criação de emprego, com a CGTP a propor o aumento a prazo para os 850 euros.

Os parceiros sociais voltam a reunir-se com o Governo na próxima quarta-feira e só nessa data, segundo a ministra do Trabalho, será avançado o valor fixado pelo Governo para o salário mínimo nacional.

FRASES
"Temos um caderno de encargos enorme de projetos e de medidas a implementar nesta legislatura"
Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho
"Apenas trouxemos para a reunião o que é o desejo de progredirmos na evolução salarial no seu todo e nomeadamente no salário mínimo"
António Saraiva, presidente da CIP
"O aumento do salário mínimo é fundamental para a economia, para os trabalhadores e para as empresas"
Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP
"A competitividade não pode ser conseguida à custa de baixos salários"
Carlos Silva, secretário-geral da UGT
"Há unanimidade em que é necessário aumentar o salário mínimo"
Vieira Lopes, Confederação do Comércio e Serviços

Assuntos fiscais na reunião
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Mendonça Mendes, esteve presente na reunião da concertação social. O Fisco terá uma palavra a dizer nos acordos que o Governo quer fazer com parceiros, sobretudo em todos os que se cruzam com os impostos cobrados.

Jovens quadros devem ganhar mais
O primeiro-ministro considerou esta quarta-feira fundamental para a competitividade e para o crescimento da economia portuguesa um acordo sobre a evolução dos salários dos jovens quadros qualificados.

Ministra desvenda agenda para os próximos meses
A reunião desta quarta-feira, em sede de concertação social, também permitiu à ministra do Trabalho apresentar a patrões e sindicatos o plano de trabalhos para os próximos tempos.

Para além do salário mínimo, a ministra do Trabalho quer ouvir os parceiros sobre a produção de informação relativa ao impacto do salário mínimo e sobre um acordo global de política salarial e de rendimentos, para início de discussão.

Parceiros sociais e Governo vão discutir política de rendimentos
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, disse esta quarta-feira que quer discutir com os parceiros sociais um acordo sobre política salarial e de rendimentos.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) concorda não só com o aumento do salário mínimo mas de uma maneira geral com a subida de rendimentos dos portugueses.

E recordando o sucesso da descida do preço dos passes sociais, que aumentou os rendimentos familiares, João Vieira Lopes deu uma sugestão: descer o IVA da eletricidade. Recorde-se que o preço da eletricidade é um dos mais elevados da UE.

21,3% estão a receber o ordenado mínimo
A percentagem de trabalhadores a receber salário mínimo caiu 1,1 pontos para 21,3% nos primeiros 9 meses do ano face a igual período de 2018.

Aumento de 95 euros em quatro anos
O salário mínimo tem vindo a aumentar tendo passado de 505 euros, em janeiro de 2016, para 600 euros em janeiro deste ano.

Portugal tem dos salários mínimos mais reduzidos
Portugal continua a ter um dos salários mínimos mais baixos da União Europeia, apesar das atualizações dos últimos quatro anos, que elevaram a remuneração mínima em quase 19% em termos nominais.

Entre os 22 países europeus que atualizaram o salário mínimo em 2019 por via legislativa, Portugal surge na 12ª posição, segundo um estudo realizado pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, apresentado recentemente, por ocasião dos 45 anos do salário mínimo.

O salário mínimo nacional em Portugal aumentou nos últimos quatro anos dos 505 euros, em 2016, para 600 euros em 2019, um aumento nominal de quase 19% e real (descontando a inflação) de 14%.

Segundo o estudo, Portugal encontra-se "entre os países com o salário mínimo mais baixo quer da UE quer da área do Euro" e "os recentes aumentos do salário mínimo em Portugal não alteram a sua posição relativa" no ranking europeu.

O Luxemburgo está no topo, com um salário mínimo de 2071,10 euros por mês, ou seja, quase o triplo do português. Em segundo lugar surge o Reino Unido com um salário mínimo de 1746,70 euros. Com valores acima dos 1500 euros estão ainda a Irlanda, a Holanda, a Bélgica, a Alemanha e França.

Portugal, cujo valor ajustado a 12 meses é 700 euros, encontra-se ainda abaixo de Espanha (1050 euros), Eslovénia (886,60 euros), Malta (762 euros) e Grécia (758,30 euros). Com valores inferiores ao do salário mínimo português estão países como a Lituânia (555 euros), a Estónia (540 euros), a Polónia (523,1 euros), sendo a Bulgária aquele que tem o mais baixo dos 22 países, com 286,30 euros por mês.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)