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Correio da Manhã

Economia
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Patrões sindicais cortam empregos

Seguradora surpreendeu trabalhadores e sindicatos ao despedir quadros que contratou há seis meses
8 de Fevereiro de 2011 às 00:30
João Proença, que é vogal da Macif, foi apanhado de surpresa com a decisão de despedir cerca de 20 colaboradores, e quer explicações da administração da empresa
João Proença, que é vogal da Macif, foi apanhado de surpresa com a decisão de despedir cerca de 20 colaboradores, e quer explicações da administração da empresa FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

A Macif Portugal, a antiga seguradora Sagres que tem como accionistas organizações mutualistas e sindicais, entre as quais a UGT e a CGTP, tem em curso um despedimento colectivo que poderá atingir duas dezenas de trabalhadores. Os contornos inéditos do processo – feito sem conhecimento dos sindicatos e envolvendo contratações recentes – deverá conduzir a uma "forte tomada de posição do movimento sindical", admitiu ontem ao CM o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Seguradora (STAS).

Os contactos com os trabalhadores começaram em Dezembro mas só na passada sexta-feira os sindicatos do sector foram informados da intenção do despedimento colectivo de 11 trabalhadores, da sede em Lisboa, que conta com 80 profissionais, num universo total de 130 pessoas espalhadas por todo o País. No entanto, os despedimentos deverão atingir as duas dezenas, apurou o CM.

O que está a causar indignação é o facto de a maioria dos trabalhadores enquadrados no despedimento terem sido contratados em 2010, no âmbito de uma estratégia de crescimento da empresa que chegou a fazer dois aumentos de capital o ano passado, o último dos quais em Dezembro último.

"São pessoas que a Macif foi contratar a outras empresas, profissionais com nome no mercado", explicou ao CM Carlos Marques, presidente do STAS.

De resto, os profissionais que ocupavam cargos de direcção já foram afastados, encontrado-se neste momento secções e departamentos a funcionar sem chefias, apurou o CM junto de fonte da companhia. Os trabalhadores temem pelo seu futuro sobretudo porque estão a assistir a uma redução significativa das apólices da seguradora e ao afastamento de agentes e mediadores.

O CM tentou contactar o responsável pela gestão da empresa em Portugal, Laurent Millardet, para esclarecer a mudança de estratégia da Macif em apenas alguns meses, mas até à hora de fecho desta edição não obtivemos qualquer resposta.

JOÃO PROENÇA JÁ EXIGIU ESCLARECIMENTOS

O secretário-geral da UGT, e vogal da Macif Portugal, já escreveu uma carta à administração da empresa a exigir esclarecimentos. Trata-se de um comportamento "inaceitável", sublinhou João Proença ao Correio da Manhã, admitindo mesmo que poderá estar em causa o relacionamento da central sindical com a organização mutualista francesa. Segundo o dirigente sindical, a gravidade da situação vai para além de um mau processo de despedimento, já que se trata de uma empresa da economia social.

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