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Correio da Manhã

Economia
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PCP acusa banca de contabilidade "criativa"

O PCP acusou ontem os bancos de apresentarem processos contabilísticos "muito criativos" para, numa intervenção "articulada" com o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças, justificarem os "recursos públicos que vão receber".
14 de Fevereiro de 2012 às 13:18
PCP critica banqueiros
PCP critica banqueiros FOTO: d.r.

"Estes bancos andaram ao longo de anos a esconder um conjunto de imparidades - a geri-las de acordo com os interesses dos accionistas e dos banqueiros, dos donos desses bancos -, no sentido de poderem apresentar lucros extraordinários e poderem distribuir milhares de milhões de euros em dividendos pelos seus accionistas e também prémios pelas administrações", afirmou Jorge Pires, da comissão política do Comité Central do PCP.

O dirigente comunista falava em conferência de imprensa, na sede do PCP, em Lisboa.

Segundo o PCP, os bancos apresentam agora, "num processo contabilístico muito criativo", prejuízos, quando no passado já tinham "o fundamental destas imparidades, que resultam de uma crise que já em 2007 fez com que estes bancos perdessem muito dinheiro nos investimentos especulativos que entretanto tinham realizado".

"Nesta altura, como precisam de recorrer aos apoios do Estado, ao tal Estado gordo que eles muito criticam e dizem ser responsável por esta crise, é conveniente apresentar prejuízos", acusou.

"Apesar de terem resultados operacionais muito superiores a dois mil milhões de euros, que são os resultados do dia a dia da actividade desses bancos, eles decidem, numa intervenção articulada com o Banco de Portugal e com o Ministério da Finanças, concentrar nos resultados de 2011 um conjunto muito vasto de imparidades", sustentou.

O objectivo da banca é, de acordo com o PCP, atribuir "responsabilidades à dívida soberana grega e aos fundos de pensões, para justificar os importantes recursos públicos que vão receber como ajuda ao refinanciamento desses bancos".

Por outro lado, os comunistas criticam que a Caixa Geral de Depósitos não possa recorrer a esses fundos, quando é o único banco que, "apesar de todas as dificuldades, nomeadamente de uma gestão enfeudada aos interesses da política de direita, tem mantido o financiamento à actividade económica".

PCP Banca Estado
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