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Correio da Manhã

Economia
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Penhoras arruinam produtores de leite

Entre quatro a cinco mil produtores de leite estão a atravessar graves dificuldades. Destes, um quinto está a passar por processos de execução, revela a Associação de Produtores de Leite e Carne (Leicar). O Governo quis ouvir o sector, mas as principais associações recusaram.
27 de Agosto de 2009 às 00:30
Os protestos  dos produtores de leite repetem-se hoje na Póvoa de Varzim. Contestam a baixa de preços
Os protestos dos produtores de leite repetem-se hoje na Póvoa de Varzim. Contestam a baixa de preços FOTO: Pedro Ferrari/Lusa

"São, seguramente, mais de mil os produtores que estão a passar por situações de penhora e arresto [de bens]", um sétimo dos produtores leiteiros do Continente português, diz José Oliveira, líder da Leicar. A percepção é ganha no terreno, pois a associação faz a contabilidade de muitos produtores. "Todos os dias nos chegam notificações." Fisco, Banca e fornecedores apertam o cerco para cobrar dívidas. José Oliveira garante que esta "nunca foi uma situação comum". "Agravou-se a partir do início do ano."

Apesar de não ter dados relativos das execuções, Fernando Cardoso, da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac) – que recusou ir à reunião –, admite que "no último ano mil produtores abandonaram o sector". Há ano e meio, o preço do litro do leite rondava os 55 cêntimos. Hoje, é pago entre os 25 e 28 cêntimos e há já quem aposte na descida até aos 20 cêntimos.

A falta de aplicação da linha de desendividamento anunciada pelo Governo é criticada. "Ninguém conhece o texto nem os bancos que a vão formalizar", lembra Fernando Cardoso. José Oliveira vai mais longe e diz que "há agricultores que não estão a conseguir pagar à Segurança Social e às Finanças", pelo que a exigência da regularização das dívidas poderá afastar candidatos.

Ontem, o ministro da Agricultura desvalorizou a recusa da Leicar e da Fenalac em reunir. Jaime Silva afirmou que a ASAE está a analisar o problema dos preços. Em Bruxelas, a 7 de Setembro, o ministro já garantiu que vai defender a suspensão do aumento das quotas leiteiras e informar a Comissão Europeia de que está contra a liberalização prevista para 2015. Jaime Silva vai sugerir ainda o abate de vacas mais velhas e o aumento do preço na intervenção. Hoje, há nova manifestação de produtores na Póvoa de Varzim.

MINISTRO VAI PEDIR AOS HÍPERS QUE ESCOEM ARROZ

O Ministério da Agricultura vai chamar os principais hipermercados para os sensibilizar para a necessidade de escoar mais rapidamente o arroz nacional, disse o secretário de Estado Luís Vieira. Para além da reunião entre Jaime Silva e os representantes de grupos como a Jerónimo Martins, Sonae, Auchan e Intermarché, que terá lugar na próxima semana, a questão dos preços está também a merecer a atenção do Governo. Jaime Silva quer "sensibilizar para a necessidade de garantir o escoamento da produção nacional".

PORMENORES

NÚMEROS

Segundo as contas da Leicar e da Fenalac, existem no Continente apenas sete mil produtores, a que se somam mais de três mil dos Açores. O ministro já disse que três mil pequenos produtores irão desaparecer.

DIFICULDADES

As duas associações defendem que não são os pequenos produtores quem está a passar os maiores problemas, mas antes as médias e grandes explorações que investiram na modernização.

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