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Correio da Manhã

Economia
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Penhores fazem fortuna com ouro

Cada vez mais portugueses procuram prestamistas para pagar dívidas. Juros cobrados mensalmente sobre o empréstimo são de três por cento.
7 de Agosto de 2011 às 00:30
Crise empurra portugueses a pôr o ouro no prego para pagar as dívidas que se acumulam
Crise empurra portugueses a pôr o ouro no prego para pagar as dívidas que se acumulam FOTO: Carlos Barroso

Há cada vez mais pessoas a vender os anéis para manterem os dedos. A procura de casas de penhores por parte de portugueses que precisam de dinheiro rápido para pagar dívidas é cada vez mais devido à crise, desemprego e medidas de austeridade. O ouro, a peça mais usada nestes negócios, rende aos prestamistas um lucro de 3 por cento ao mês durante dois anos. Um fio de ouro de 250 euros que se penhore, para o recuperar no final deste tempo, paga-se 430 euros, dos quais 180 são só juros.

Como o CM teve oportunidade de observar numa casa de penhores de Lisboa, o ouro é a moeda de troca preferida neste empréstimo rápido a altos juros. Fios, anéis ou qualquer outro tipo de ornamento feito com este metal precioso podem facilmente ser penhorados para se obter dinheiro no momento numa altura em que os bancos apertam no crédito. Os motivos variam mas têm quase sempre a mesma base: a necessidade de pagar dívidas. A casa empresta dinheiro, ficando com o ouro, ao qual o cliente tem de pagar mensalmente um juro de 3%. Quem se atrasar paga multa e passados três meses a peça pode ir a leilão.

Dias Pinho, que tem mais mais de 20 casas de penhor espalhadas pelo País, admite ao CM que terá duplicado o número de pessoas que penhora ouro mas que já não volta para o reaver. "Nos tempos que correm, cerca de 8% dos clientes não voltam, antes da crise seriam uns 4%." O cliente-padrão, de recursos humildes, também mudou. "Seis em cada dez clientes não são de condições humildes. A classe média já recorre a casas de penhores", admite.

Esta actividade tem sido ameaçada pelas casas que compram ouro à grama. "Há uma em cada esquina e é um mau negócio para os clientes porque com a valorização do ouro, quem penhorar consegue pagar o empréstimo e ainda lucra. Quando se vende para derreter, não há retorno nenhum", explica.

METAL PRECIOSO VALORIZA E BATE RECORDES

O ouro, que é o refúgio dos investidores em tempos de crise, tem vindo a valorizar nos mercados internacionais.

A semana passada a onça chegou aos 1670 dólares em Londres e Nova Iorque, um novo máximo histórico e a tendência é para continuar a subir. O ouro já valorizou mais de 15% desde Janeiro, e prepara-se para completar 11 anos de ganhos. Os analistas do Deutsche Bank acreditam que o metal precioso vai fechar o ano nos 2000 dólares por onça.

CRISE OURO PENHORA
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