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Correio da Manhã

Economia
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Pensionistas dizem que cortes são “calamidade”

O congelamento das pensões e cortes nas reformas acima dos 1.500 euros são uma "calamidade", alertaram representantes dos reformados que esta sexta-feira acusaram o primeiro-ministro de "cinismo e hipocrisia" ao ter prometido que nunca mexeria nas pensões.
11 de Março de 2011 às 13:44
Pensionistas vão lutar contra as medidas
Pensionistas vão lutar contra as medidas FOTO: d.r.

Um dia após a concentração de reformados em frente à residência oficial de primeiro-ministro (PM), o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou que, no próximo ano, as pensões vão ficar congeladas e as reformas acima dos 1.500 euros serão alvo de cortes.           

O presidente da Federação das Associações de Reformados do Distrito de Lisboa, Joaquim Augusto dos Santos, lamenta a decisão, lembrando que, com as medidas agora anunciadas, "vai haver um significativo agravamento do custo de vida dos reformados".            

"O congelamento das reformas mais baixas é uma calamidade", alertou. 

"Não sei como é que as pessoas vão sobreviver. Isto é muito dramático", desabafou.           

Joaquim Augusto dos Santos sublinhou ainda que estes cortes e congelamentos poderão afectar mais pessoas para além dos próprios pensionistas: "Antigamente  eram os filhos que ajudavam os pais mais velhos, mas hoje muitos estão no desemprego ou têm trabalhos precários e por isso ainda são ajudados pelos  pais".           

"As palavras de José Sócrates mostram um verdadeiro cinismo e uma hipocrisia perfeita", acusou por seu turno o presidente da Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos (MURPI), Casimiro Menezes, lembrando que, na altura em que foram anunciados os cortes salariais, o primeiro-ministro  "disse que os reformados nunca seriam afetados".           

Casimiro Menezes recordou que esta é a segunda "má notícia" do ano para os pensionistas: "O Orçamento de Estado de 2012 já previa uma penalização para todos os rendimentos incluindo as reformas e agora ainda veem agravar  mais a situação."           

Os dois representantes disseram à Lusa que os pensionistas vão lutar contra as medidas e que para já está confirmada a sua presença na manifestação da CGTP, marcada para dia 19.

No protesto ‘Geração à Rasca’, agendada para  este sábado, também estarão presentes mas "em nome individual". "Vão estar muitos avós", concluiu Casimiro Menezes.           

O presidente da MURPI lembrou que a medida hoje anunciada é "injusta" porque se trata de um grupo "que depende unicamente das suas pensões" e que descontou ao longo de toda a vida.          

A medida esta sexta-feira anunciada prevê que a partir de 2012 seja aplicada uma taxa para as pensões entre 1.500 e 2.000 euros e outra taxa fixa gradual até a um máximo de 10 por cento.         

Teixeira dos Santos recusou estabelecer um prazo limite para a cessação desta "contribuição especial", indicando apenas que se manterá "enquanto for necessário para assegurar o cumprimento" das metas orçamentais.  

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