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Correio da Manhã

Economia
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Pequenos têm 13% da Torralta

A implosão das duas torres da Torralta, na passada quinta-feira, “não significou a perda do dinheiro por parte dos pequenos investidores, que têm 13 por cento da empresa.”
13 de Setembro de 2005 às 00:00
Pequenos accionistas mantêm participação na nova Torralta
Pequenos accionistas mantêm participação na nova Torralta FOTO: Pedro Catarino
A revelação foi feita ontem ao Correio da Manhã por João Carvalho das Neves, administrador judicial da Torralta desde fins de 1993 até fins de 1997. Devem-se ao economista João Carvalho das Neves esses 13 por cento a que têm direito os pequenos accionistas que fizeram aplicações de dezenas e de centenas de contos na empresa. É que, numa entrevista dada ao
‘Diário de Notícias’, o gestor judicial da Torralta disse que fora pressionado para declarar a empresa falida. As pressões, João Carvalho das Neves confirmou-as ontem ao nosso jornal.
Segundo o economista, que é docente no ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, “havia interesse na declaração de falência da Torralta para os respectivos activos serem adquiridos a preços baixos em leilão.”
Mas o gestor judicial sempre acreditou na viabilidade da empresa turística. E propôs um modelo, a “venda na continuidade”, que se concluiu em 1997, ano em que a Sonae adquiriu os créditos da Torralta detidos pelo Estado, que a nacionalizara.
Quando João Carvalho das Neves passou a ser o gestor judicial da Torralta, esta “estava com um passivo de 30 milhões de contos e activos de 20 milhões de contos. Na realidade, a empresa estava falida.”
INQUÉRITO INJUSTIFICADO
As pressões de que foi alvo João Carvalho das Neves para a declaração de falência da Torralta não justificam a abertura de um inquérito por parte do Ministério Público. Aliás, o administrador judicial garantiu ao CM que se houvesse motivo para tal procedimento, ele próprio teria agido. Caso João Carvalho das Neves declarasse a Torralta falida, receberia uma percentagem dos activos da empresa, como estipula a lei.
Ao ‘Diário de Notícias’, o gestor judicial da Torralta de 1993 a 1997 afirmou que “a partir do momento em que tomei a posição de que a empresa era viável, surgiram indecisões no PSD”, que estava no Governo em 1994. “Houve uma tendência no sentido de influência pela falência.”
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