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Correio da Manhã

Economia

Peru e Moçambique compram comboios

A CP está a negociar com o Peru e com Moçambique a venda de material circulante que se encontra desactivado, à semelhança do que fez com a Argentina. Trata-se de material que já se encontra obsoleto mas que recuperado pela EMEF, uma empresa do universo CP, ainda poderá circular por mais dez ou 15 anos.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
“Temos ainda algumas locomotivas a diesel, uma centena de carruagens e automotoras de via estreita”, exemplificou ao Correio da Manhã Natal da Luz, da Unidade de Gestão da Frota da CP, confirmando que a empresa se encontra em negociações com vários operadores.
A CP pretende assim vender material que já não usa há anos, evitando a sua degradação e encaixando alguns milhões de euros.
Foi nesse sentido que assinou em 2005 um contrato com a Argentina que prevê o envio de 60 carruagens, seis automotoras, 28 locomotivas e 21 Unidades Triplas Eléctricas (UTE), isto é, constituídas por três peças, duas das quais motorizadas.
O contrato prevê quatro carregamentos – o segundo seguiu na semana passada para Buenos Aires – até ao final deste ano.
Neste momento, já se encontram naquele país da América Latina, 40 carruagens e sete locomotivas, enviadas no início de 2006.
O valor global do contrato é de 27 milhões de euros, 15 milhões dos quais pela venda de material e os restantes 12 milhões pelas reabilitações realizadas pela Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF).
Estas operações de venda são interessantes para a CP porque “dão a possibilidade de recuperar material que estaria condenado à sucata, já que com a imobilização a degradação é muito rápida, e permite dar trabalho à EMEF, o que é bom para as empresas e para o País”, explicou Natal da Luz.
Trabalho na EMEF
Com efeito, este contrato internacional, e também o firmado com a Bósnia, tem permitido rentabilizar as instalações da EMEF.
Recorde-se que o governo bósnio encomendou 356 vagões, um contrato que representa um encaixe de 32 milhões de euros, cuja execução ainda decorre. Os caminhos--de-ferro daquele país do Leste Europeu encomendaram três tipos de vagões, para cargas a granel, embaladas e cerealíferos, com capacidade para 52 toneladas de carga.
Para além da construção em Portugal, a EMEF tem técnicos na Bósnia a recuperar 211 vagões destruídos pela guerra.
Aliás, uma visita da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, à Bósnia, para a entrega dos primeiros 30 vagões construídos pela empresa portuguesa, abriu as portas a futuras encomendas.
MATERIAL VENDIDO
LOCOMOTIVAS
Estas locomotivas circularam sobretudo no Sul do País. Estiveram ao serviço, nomeadamente, nas ligações realizadas no Litoral Algarvio.
AUTOMOTORAS
Estas automotoras Nohab garantiam o serviço, até há poucos anos, nas linhas do Alentejo (Vendas Novas-Évora) e do Litoral Algarvio.
COMPOSIÇÕES
Estas composições circularam, na Linha de Sintra, entre os anos 60 e 90, tendo passado a servir o ramal de Tomar e Figueira da Foz.
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