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Correio da Manhã

Economia
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Petróleo renderá 4 milhões em 8 anos

O Estado português vai receber quatro milhões de euros durante os próximos oito anos com a prospecção de petróleo ao largo de Peniche, no âmbito dos acordos ontem assinados entre a Partex, a Galp e a Petrobras. Os acordos visam a exploração de petróleo na Bacia Lusitania, num investimento global estimado em mais de 200 milhões de euros.
19 de Maio de 2007 às 00:00
Sergio Gabrielli (à esq.) e Ferreira de Oliveira assinaram o acordo com Manuel Pinho
Sergio Gabrielli (à esq.) e Ferreira de Oliveira assinaram o acordo com Manuel Pinho FOTO: João Relvas, Lusa
De acordo com o director-geral de Energia e Geologia, Miguel Barreto, o rendimento do Estado virá das redes de superfície, dos prémios de assinatura e de transferências tecnológicas. Além dos quatro milhões em receitas estimadas, caso se venha a avançar para a produção, o Estado irá receber 7% do valor do barril de petróleo mais 25 por cento do Imposto sobre o rendimento de Pessoas Colectivas (IRC).
O contrato ontem assinado prevê a exploração durante 8 anos da Bacia Lusitania, prevendo o consórcio composto pela Galp, Partex e Petrobras investir perto de 20 milhões de euros nos primeiros três anos em aquisição e processamento sísmico.
No quartro ano, o consórcio prevê iniciar a prospecção em águas profundas e a partir daí, se houver evidências de um sistema petrolífero na zona, deverão realizar-se duas perfurações em cada um dos quatro blocos que compõem a exploração.
Paralelamente à exploração no mar, a Petrobras contratou três universidades – a de Lisboa, a de Coimbra e a de Sergipe, no Brasil – para desenvolverem estudos em terra que servirão de guia àquilo que se poderá esperar encontrar em águas profundas.
O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, está confiante na existência de petróleo na costa portuguesa, já o responsável pela Galp, Ferreira de Oliveira, não tem dúvidas de que se formou petróleo em Portugal. Resta saber “se houve condições geológicas para reter esse petróleo”.
DEVE AJUDAR A ECONOMIA
A Galp assinou, também ontem, um acordo com a Petrobras com vista à aquisição de biocombustíveis produzidos no Brasil . Para Luís Vasconcellos e Souza, presidente da Associação Nacional dos Produtores do Milho e Sogro (ANPROMIS), este acordo “tem de fazer sentido para a economia nacional”.
Ressalvando não conhecer os pormenores do contrato, este responsável sublinhou ao Correio da Manhã que “essa solução pode ser interessante para os accionistas da empresa, mas pode não sê-lo para a economia do País”.
AUSTRALIANOS NO ALENTEJO
Em Fevereiro último, a Galp e a Partex, em conjunto com os australianos da Hardman Resources, tinham assinado com o Estado um acordo com vista à prospecção de petróleo na costa alentejana. A concessão foi feita por um período de oito anos para a fase de prospecção e de 30 anos para a fase de produção, caso se venha a encontrar crude nas águas profundas ao largo do Alentejo.
Vários são os especialistas que têm admitido a possibilidade de existência de jazidas petrolíferas nas profundezas da costa nacional.
SAIBA MAIS
12 000 metros quadrados divididos por quatro blocos compõem a área a explorar ao largo de Peniche.
222,6 milhões de euros é quanto se calcula que custem os trabalhos de prospecção de petróleo na Bacia Lusitania.
UTILIZAÇÃO
O petróleo serve como base ao fabrico dos mais variados produtos, como, por exemplo, o gasóleo, a gasolina, o alcatrão, os polímeros plásticos e até mesmo medicamentos.
ORIGENS
O petróleo está associado às grandes estruturas rochosas que constituem a parte superior da crosta terrestre.
LOCALIZAÇÃO
O petróleo pode encontrar-se tanto em terra como no mar, principalmente em bacias sedimentares.
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