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Correio da Manhã

Economia
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PGR associa classes altas à corrupção

O Procurador-Geral da República (PGR) afirmou que estamos a assistir a uma fase de transição na criminalidade que antes era praticado pelas classes baixas contra as classes altas e agora é “praticada pelas camadas superiores da sociedade em prejuízo de todos”.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
Para Souto Moura a criminalidade económica envolve os estratos médios e altos da sociedade, figuras “respeitadas, mas nem sempre respeitáveis”. “O respeito anda, mal ou bem, associado ao poder económico”, disse o procurador, para quem o crime económico “não levanta o clamor de outros crimes”, e que “a falta de consciência social dificulta o combate à corrupção”.
Souto Moura elegeu o combate à corrupção como “uma das prioridades do Estado”.
Ao falar das fraudes, o PGR deu como exemplo as fraudes com subsídios comunitários, “toleradas porque não atingem cidadãos portugueses, mas que arrasam a imagem de Portugal no estrangeiro”.
Um outro tipo de fraude, a fraude fiscal, mereceu de Souto Moura o seguinte comentário: “A consciência permissiva dos cidadãos só se degradará se as punições forem meramente simbólicas”.
O magistrado classificou a “lavagem de dinheiro” como a “garantia de usufruto dos rendimentos ilícitos e reclamou para o Ministério Público mais operadores especializados e mais meios. “Estamos confiantes que algo vai mudar, esperemos que não seja para ficar tudo na mesma”, concluiu Souto Moura.
Já Mouraz Lopes, director nacional Adjunto da Polícia Judiciária, questionou se uma “economia como a portuguesa pode mandar pela janela mais de 800 milhões de euros?”
“É preciso dizer basta. Mas não basta dizer basta. É preciso criar uma cultura de cumplicidade estratégica (entre os operadores de investigação criminal), uma cultura anticorrupção, uma cultura de legalidade”, afirmou o responsável pela DCICCEF, principal órgão de combate à corrupção da polícia.
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